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Laboratório gaúcho é especializado em análises de DNA

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Em muitos casos, os únicos vestígios encontrados nos locais de crime são pequenas amostras de resíduos biológicos. A partir delas, inicia-se a investigação para elucidar o crime cometido. Fundamental neste processo é o exame de DNA (ácido desoxirribonucléico) - informações genéticas de cada indivíduo, transmitidas à sua descendência - que pode incriminar ou inocentar suspeitos. No Rio Grande do Sul, o Laboratório do Instituto-Geral de Perícias (IGP), órgão vinculado à Secretaria da Justiça e da Segurança, é o responsável por esta análise. O Laboratório emitiu um total de 300 laudos. Entre eles, destaca-se a colaboração em casos de repercussão no estado, como a identificação do responsável por uma série de estupros no município de Montenegro no ano de 2002, o assassinato de um jovem em junho e a libertação, no mês passado, de um preso acusado de estupro. DNA Forense - O Laboratório de Perícias gaúcho é especializado em análises de DNA para a elucidação de fatos na esfera criminal, o chamado DNA forense, que se diferencia dos conhecidos exames de paternidade. Enquanto, nesses últimos, há abundância de material para ser analisada a partir da coleta de sangue dos indivíduos envolvidos, na área criminal trabalha-se com amostras degradadas, oriundas de pequenas manchas de sangue, resquícios de saliva em objetos ou outros resíduos biológicos (sêmen, fios de cabelo, ossos e dentes), encontrados nos locais de crime e nas vítimas, que são comparadas com espécimes coletados em suspeitos. O chefe do Laboratório do IGP, Fábio Leite, explica que o método de obtenção do DNA forense inicia-se com a extração do material nas amostras adquiridas no levantamento do crime. Este processo dura cerca de 18 horas, seis vezes mais que nos exames de paternidade. Dele, resulta um gel branco, o DNA puro e isolado. Em seguida, ocorre a amplificação do material - quando se isolam as áreas para comparação - através de variações de temperatura e aplicação de enzimas sintéticas. Para cada amostra, são necessárias de três a quatro horas na multiplicação de cópias do DNA extraído. Nesse momento, o material está pronto para ir ao seqüenciador genético, onde, em 45 minutos, cada unidade de exame será separada, identificada e visualizada, tornando possível a comparação dos perfis obtidos. A partir daí, o técnico saberá se a amostra colhida no local de crime está suficientemente íntegra para análise pericial, o que, dada a degradação natural deste material, muitas vezes não ocorre, obrigando ao perito reiniciar toda a ação até a obtenção de resultados, o que pode demorar vários dias, conclui Fábio. Casos Resolvidos - As mulheres de Montenegro viviam acossadas pelo medo no ano de 2002, um estuprador estava a solta na cidade. A investigação policial chegou a um primeiro suspeito, mas só poderia confirmar a participação do mesmo nas agressões com o exame de DNA do sêmen coletado nas vítimas. Recorreu-se ao Laboratório do IGP que na análise do material constatou que a linha de investigação deveria ser mudada, pois o exame deu negativo. A partir daí, encontrou-se outro suspeito e coube novamente ao Laboratório gaúcho realizar a análise que confirmou a autoria dos estupros. No assassinato de um jovem no final do mês de junho, o Laboratório do IGP analisou um taco de beisebol e manchas de sangue no interior do veículo que o atropelou, pois haviam dúvidas de que o bastão teria sido usado para agredi-lo e após guardado no veículo. Os exames apontaram que o material encontrado não era do adolescente, confirmando o laudo da necropsia que não encontrou lesões causadas pelo taco. No caso de um industriário, preso por ter sido reconhecido por duas vítimas e três testemunhas por cometer estupro nas cidades de Três Coroas e Igrejinha, as análises do Laboratório excluíram a possibilidade do sêmen colhido em uma das adolescentes agredidas sexualmente ser do acusado. O resultado negativo do exame foi decisivo para a sua libertação.
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