RS negocia liberação de produtos avícolas em SC
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O Governo do Estado obteve, nesta sexta-feira (21), do secretário da Agricultura de Santa Catarina, Felipe da Luz, o compromisso da edição de portaria que libere a entrada naquele estado de material genético e ovos produzidos pelo setor avícola do Rio Grande do Sul em regime de integração. No encontro com a diretoria da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav), liderada pelo presidente Aristides Vogt, e com a presença do secretário da Agricultura e Abastecimento, Quintiliano Vieira, foi examinada a questão do fechamento de fronteiras decidido pelo governo catarinense, devido a um único foco da Doença de Newcastle, na região do Vale Real, cujos sintomas foram comunicados pelo produtor no dia 4 de maio passado. Até hoje não foi registrado outro foco ou morte de aves. Não há mais nada do foco da doença e as amostras feitas comprovam isso. A área foi totalmente isolada e não há nenhum resquício do foco, disse o secretário. Certificação Só não está sendo exportada a produção localizada dentro do raio de 10 quilômetros, que é uma exigência da Europa, e no raio de 50 quilômetros para o Japão que pede este limite. A dificuldade maior ainda é com a Rússia, único país que restringiu as importações de todo o Estado, explicou o governador. O governo de Santa Catarina também tratou da possibilidade da entrada do gado em pé catarinense e no RS. Devido ao problema da febre aftosa, ocorrido no rebanho do Mato Grosso do Sul e Paraná, o RS proibiu o ingresso em seu território de gado em pé e de carne com osso. O problema é a carne que vem de outros estados e entra por Santa Catarina. O secretário solicitou uma forma de certificação de que o gado e a carne são catarinense. Vamos estudar, inclusive com a Farsul, Asgav e as demais entidades, se realmente existe a possibilidade de certificação de que a carne que entra no Rio Grande do Sul é catarinense, observou o governador. Prejuízos Para o secretário executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos, as barreiras de Santa Catarina ao material genético e ovos do Rio Grande do Sul geram prejuízo de, aproximadamente, R$ 2,6 milhões aos criadores de aves. Desde o início do problema da Doença de Newcastle (o vírus foi isolado no último dia 4, um mês após o registro dos sintomas) começaram as perdas, mas a situação ficou mais séria quando foi isolado o vírus. No dia 5 começaram as restrições. Em ovos, por exemplos, deixaram de ser remetidos 223 mil dúzias para SC e 1,2 milhão de pintos. Os produtores gaúchos sofrem prejuízos porque trabalham em sistema de integração com Santa Catarina, com criatórios geminados, ovos para reprodução e outras trocas, explicou o secretário Quintiliano Vieira. Vão ovos para Santa Catarina e retornam os pintos, tudo em processo que, depois de ser interrompido, traz grandes dificuldades à economia do Rio Grande do Sul, afirmou o secretário. Segundo ele, o governo gaúcho foi rápido na tomada de providências de proteção da avicultura. A prova é que passados 60 dias desde o primeiro foco da Newcastle, nada mais foi constatado. Estiveram também na reunião com o governador, o ex-presidente da Asgav, Paulo Velinho (Avipal), diretores e técnicos da associação.