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Ação conjunta entre RS e Shiga busca preservação do sistema de lagoas

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Ação conjunta entre RS e Shiga busca preservação do sistema de lagoas
O trabalho conjunto entre comunidade e poder público recuperou a qualidade da água do Lago Biwa - Foto: Luiz Chaves/Palácio Piratini

Um projeto para prevenir a degradação do Sistema Lagunar Norte gaúcho foi oficializado durante visita técnica ao Lago Biwa, na província de Shiga, nesta quinta-feira (8). Com estudos bilaterais e possibilidade de intercâmbio educacional e científico, a intenção é garantir a qualidade da água nas lagoas gaúchas localizadas entre o Rio Mampituba e a Praia do Pinhal.

A visita técnica marcou o último dia da comitiva gaúcha no Japão. Antes de conhecer os resultados práticos do projeto de sustentabilidade aplicado no principal lago de Shiga, o governador foi recepcionado pela vice-governadora da província, Toshie Ikenaga. Sartori também esteve com o governador de Shiga, Taizo Mikazuki.

O Sistema Lagunar do Litoral Norte corresponde à Bacia Hidrográfica do Rio Tramandaí. Possui 3 mil quilômetros quadrados de superfície e uma população fixa de 240 mil pessoas, que chega a 500 mil nos meses de verão. Boa parte das águas tem qualidade apropriada para o consumo humano, mas há sinais de degradação em diversos pontos. "O cuidado com o meio ambiente é encarado pelos japoneses como fundamental para a qualidade de vida e para o desenvolvimento econômico e social. A experiência de Shiga pode inspirar estratégias, no Rio Grande do Sul, no sentido de recuperar e despoluir o Sistema Lagunar Norte", destacou Sartori.

A redução do nível das lagoas e dos aquíferos, pela utilização excessiva e crescente de água, está provocando a salinização de algumas lagoas, comprometendo o abastecimento humano e a irrigação. "Os técnicos de Shiga tinham um problema maior no Lago Biwa e conseguiram recuperar. Temos chance de aplicar estratégias ambientais semelhantes, aproveitando a experiência japonesa", explicou a secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Ana Pellini.

Inspiração na experiência

Treze milhões de pessoas dependem do suprimento de água do Lago Biwa e dos sistemas do Rio Yodo. A melhoria da qualidade da água do lago e os esforços das autoridades da Província de Shiga são reconhecidos pela comunidade científica internacional.

Os problemas de contaminação do Lago Biwa começaram na década de 1960. Em 1980, a concentração de biomassa estava dez vezes maior do que nos anos 1950. No final da década de 1970, surgiram algas vermelhas, e em 1983 começaram a aparecer as algas azuis, como um sinal de eutrofização (quando o excesso de nutrientes na água leva ao aumento de algas e à redução do oxigênio provocando um desequilíbrio ambiental) mais avançada.

Devido ao esforço cooperativo dos moradores e da administração local de Shiga, a degradação da qualidade da água foi interrompida. Era necessário o combate à poluição difusa (causada por diversos geradores de resíduos sólidos e de sedimentos), com a adoção de medidas, como tratamento avançado de esgoto doméstico, proibição de uso de detergentes à base de polifosfatos e controle da drenagem da agricultura.

Compartilhando experiência

As intervenções necessárias para a preservação do Sistema Lagunar Norte do Rio Grande do Su podem ser qualificadas e potencializadas com a participação dos técnicos da Província-irmã de Shiga, com base na experiência do Lago Biwa. São elas: seleção de indicadores ambientais para monitoramento da qualidade do ecossistema; seleção de técnicas e instrumentos de obtenção de dados de qualidade das águas adequados ao sistema lagunar e aos usos do solo e água da bacia; identificação dos pontos de monitoramento; eleição de ações prioritárias para recuperação ambiental do sistema lagunar; e instalação de uma rede de monitoramento da qualidade ambiental do sistema lagunar.

Parceria social

O projeto proposto necessita da participação de uma entidade não governamental. Foi escolhida a  Ação Nascente Maquiné (Anama), que é uma associação da sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em 1997. Tem como missão promover estratégias de desenvolvimento socioambiental saudáveis, de relevância pública e social, nos biomas Mata Atlântica e Pampa.

Em 2007, como reconhecimento de sua atuação, a Anama recebeu o Prêmio Muriqui do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica – Unesco – ONU, pela promoção da biodiversidade, do desenvolvimento sustentável e pelo conhecimento científico da Mata Atlântica.



Texto: Gabriela Alcantara, de Shiga
Edição: Denise Camargo/Secom

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