Ação em aldeia de Porto Alegre deflagra campanha de vacinação de povos indígenas
Publicação:
O cacique Eli Fidelis, da aldeia kaingang Van Ká, no bairro Lami, foi o primeiro a ser imunizado contra o vírus influenza na abertura de vacinação nas aldeias indígenas do polo base de Porto Alegre nesta terça-feira (23/4), atividade que marcou o início do Mês de Vacinação dos Povos Indígenas, que vai até o final de maio em todo o país. A ação foi desenvolvida pela Secretaria da Saúde (SES) em conjunto com o Ministério da Saúde e secretarias municipais de Saúde.
Conforme Alda Uchoa, chefe de Divisão de Atenção à Saúde do Distrito Sanitário Indígena da Região Sul, a estratégia está na 13ª edição e busca alcançar áreas específicas da saúde indígena. A programação na capital segue durante a semana. As próximas ações irão ocorrer nas regiões Sul e Norte do Estado, abrangendo 120 aldeias. A enfermeira Reniana Scarano informou que o objetivo do mês da vacinação é imunizar 95% da população aldeada. “Se não conseguirmos neste prazo, será feita a busca ativa até que a meta seja atingida.”
Além de vacinar os 39 indígenas que vivem na aldeia Van Ká, uma equipe multiprofissional utilizou o dia para desenvolver outras ações de saúde como teste rápido para HIV e sífilis, hepatites B e C, coleta de exames do colo do útero, vermifugação, peso e medida das crianças, avaliação de gestantes, hipertensos, diabéticos e bucal.
“Aproveitamos para intensificar a assistência e contamos com uma equipe grande para fazer isto”, explicou a técnica em Enfermagem Giédra Siqueira, da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), do Ministério da Saúde, Núcleo RS.
Antes do trabalho de imunização e acompanhamento de saúde, os indígenas realizaram uma apresentação com danças e cânticos, além de manifestações de lideranças da tribo.
Luta por atendimento na aldeia
O cacique Eli Fidelis ficou satisfeito com as atividades desenvolvidas na aldeia. “É bom porque ainda estamos tendo atenção, somos um povo diferenciado e é importante sermos atendidos dentro da aldeia."
Ele disse ser um embaraço o atendimento fora da aldeia, devido ao choque cultural. “É uma dificuldade para um paciente indígena chegar em um posto de saúde não indígena, até para se expressar”, afirmou. Devido aos obstáculos, acrescentou, muitos aldeados só procuram auxílio quando estão realmente muito doentes. “Por isso nossa luta para que o acesso aos serviços de saúde seja feito na própria aldeia, por pessoas com perfil para isso. Porque o atendimento fora é, para nós, uma tragédia. Queremos dialogar com os governos para que o atendimento diferenciado não acabe.”
Juliana Patzer, do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs/SES), informou que serão distribuídas, neste ano, 22.391 doses para a população indígena gaúcha e que a objetivo é manter um alto índice de cobertura, o que vem acontecendo nos últimos anos.
Em 2018 foram distribuídas 22.110 doses (98,21%); em 2017, 21.325 (94,22%); 2016, 21.141 (97,02%) e 2015, 21.269 (94,32%).
Começa o mês de vacinação dos povos indígenas com atendimento em aldeia de Porto Alegre
Começa o mês de vacinação dos povos indígenas com atendimento em aldeia de Porto Alegre Crédito: Governo do Rio Grande do Sul
Texto: Ascom/SES
Edição: Secom






