Acordo vai desenvolver produção de pêras no Estado
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Incentivar os fruticultores gaúchos a produzir pêras é a meta do protocolo de intenções que o governo estadual, por intermédio da Fepagro (Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária), assina, nesta quinta-feira (18), com a Frutirol Agrícola. A parceria terá o apoio da Emater/RS-Ascar, que vai prestar assistência técnica necessária aos produtores rurais interessados. O ato oficial será às 10h, no gabinete do governador Germano Rigotto no Palácio Piratini e deve contar com as participações dos secretários Quintiliano Vieira, da Agricultura e Abastecimento, Renita Dametto, da Ciência e Tecnologia, e Luis Roberto Ponte, de Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais. Com o protocolo de intenções, a Frutirol vai importar mudas européias, com material genético de potencial adaptação ao clima gaúcho, e repassar à Fepagro que vai desenvolver pesquisas para ajustar a cultura às condições do Rio Grande do Sul. Também serão analisados os períodos mais adequados para o plantio e outras questões técnicas para alcançar a máxima produtividade. A variedade de pêra escolhida para começar os trabalhos foi a abate fetel e os pomares experimentais serão implantados ainda neste ano em Encruzilhada do Sul, Veranópolis e Vacaria. Na segunda etapa do projeto, a Fepagro atuará na transferência das novas tecnologias para os fruticultores e a Frutirol multiplicará as variedades de mudas aprovadas pela pesquisa agropecuária em quantidade suficiente para suprir a demanda dos produtores. Potencial O Brasil importa 80 mil toneladas de pêras por ano em média. A cifra causa um impacto negativo na balança comercial do país na ordem de US$ 90 a US$ 100 milhões. Segundo o diretor-presidente da Fepagro, Marcos Palombini, a região de clima frio no Estado, especialmente os Campos de Cima da Serra, constituem áreas nas quais é possível cultivar a fruta e se atingir níveis competitivos de produtividade e rentabilidade. O investimento na produção de pêras aproveita a oportunidade existente para abastecer o mercado nacional, no qual o consumo vem crescendo e poderá alcançar a marca de 300 mil toneladas, e representa também uma alternativa interessante para exportação, a exemplo do que ocorreu com a maçã. Na década de 1970, o Brasil gastava US$ 200 milhões por ano com importação de maçãs. O Estado vislumbrou a chance de entrar neste segmento, investiu em pesquisa e produção, e hoje supre a demanda do país e conseguiu se tornar o principal responsável pela exportação dessa fruta, que esteve em primeiro lugar no ranking de exportação da fruticultura brasileira em 2004 e em segundo, em 2005, explica Palombini apontando ainda para o fato do mercado mundial do agronegócios de frutas movimentar 20 bilhões de dólares por ano, de acordo com dados de 2004 da Revista Brasileira de Fruticultura. Outro aspecto destacado pelo diretor-presidente é que o potencial do Rio Grande do Sul para exportação de pêras para os países europeus é excepcional em função das safras das frutas serem diferentes nos Hemisférios Norte e Sul. Enquanto naquele continente a produção inicia em outubro e a comercialização encerra em março, a produção gaúcha estará recém terminando a colheita, podendo abastecer o mercado europeu na entressafra. Pêra Abate Fetel Original do sul da França, a pêra abate fetel é a segunda variedade mais consumida do continente europeu. O nome é uma homenagem ao monge que descobriu a variedade no Monastério de Chessy-les-Mines, no Departamento (Estado) do Rhône, na segunda metade do século XV. Mas a popularização dessa pêra por outros países da Europa se deu apenas a partir do século 19. Entre as principais características estão a forma alongada, coloração amarelo esverdeada e polpa de textura fina, doce e suculenta. Além da valorização no mercado internacional, outra vantagem para os fruticultores é que a abate fetel pode ser conservada em câmaras frigoríficas com cuidados especiais por até nove meses, permitindo mais liberdade para negociar a comercialização.