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Adaptação climática: é justo que muito custe o que muito vale

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Por Pedro Capeluppi

Diariamente, jornais de todo o mundo noticiam tragédias ambientais. Há muito, não se fala em outra coisa: grandes incêndios, furacões, enchentes e secas severas. Embora os efeitos sejam decorrentes de eventos globais, as consequências costumam ser locais. Por isso, os governantes são cobrados. Por vezes, a máquina pública sofre para se ajustar à urgência que os eventos requerem. A burocracia tem entraves e tempo próprios que não interessam às pessoas. Queremos respostas para hoje, para ontem. Como equacionar tais necessidades e limitações?

A resposta vem pelo caminho da preparação. Uma vez sabido que catástrofes tendem a ocorrer, o papel do Estado é se antecipar a elas e criar condições para evitar a perda de vidas e os danos à infraestrutura e ao patrimônio das pessoas. A tarefa não é simples: estamos falando em coleta de dados, monitoramento em tempo real, desenhos de políticas públicas prospectivas, protocolos de contingência, treinamentos para ação e efetiva execução de ações para contenção/mitigação de riscos. 

Já há orientações nesse sentido – o Marco de Sendai, acordo da ONU que estabelece diretrizes baseadas na ciência para reduzir o risco de desastres naturais, elenca pilares de atuação para conduzir governos nesta empreitada. Por meio da compreensão do risco de desastres, do fortalecimento da governança (que engloba toda a sociedade, e não só o Estado) para gerenciar tal risco, do investimento em infraestruturas resilientes, e na melhoria da preparação a fim de se providenciar uma resposta eficaz às catástrofes, é que se constitui o aparato para lidar com incidentes que custam investimentos, empresas, lares e vidas.

Em resposta ao ocorrido em maio de 2024 no Rio Grande do Sul, construiu-se o Plano Rio Grande, uma iniciativa que se orienta em 5 pilares: governança, diagnóstico, preparação, reconstrução e resiliência. O objetivo foi responder às necessidades prementes de reconstrução das infraestruturas danificadas pelas enchentes, sem esquecer que novas tragédias climáticas podem voltar a ocorrer, caso este em que devemos estar melhor preparados. 

Trata-se, portanto, não de só reconstruir uma ponte que caiu (eixo reconstrução), mas de reconstruí-la melhor para suportar novas chuvas (eixo resiliência) e de sermos vigilantes para prever a chuva e nos prevenirmos antes que ela caia e derrube a ponte, novamente (eixo monitoramento). Isso já vem ocorrendo nos diferentes eixos do plano: contratou-se modelagem hidrodinâmica de todo o Estado, batimetria, ações de desassoreamento, reconstrução de rodovias, entrega de casas às famílias que perderam todo seu patrimônio e pertences.

A governança é meticulosa: engloba toda a sociedade civil, exige coordenação diária entre atores diversos, um esforço hercúleo de comunicação e um pacto de todos andarem juntos para o plano funcionar. Mas se esse é o preço para não mais vermos o Estado assolado pela calamidade de 2024, pagamos achando barato. Não é, afinal, caro. É o custo daquilo que muito vale.

Secretário da Reconstrução Gaúcha

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