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Compreender a linguagem dos bebês é fundamental para estimular seu desenvolvimento

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Nas três conferências do 1º seminário Internacional Primeira Infância Melhor, na tarde desta sexta-feira (21), o dr. Kevin Nugent e a dra. Emily Fenichel, ambos dos Estados Unidos, e a professora Bruna Giacopini, da Itália, falaram sobre as Experiências Internacionais com Programas de Intervenção na Primeira Infância. A dra. Emily relatou o programa Early Head Start (ou a importância de começar cedo), implementado pela ONG Zero to Three, na qual atua. Ela explicou que o programa buscou enfrentar os diferentes ambientes que das crianças norte-americanas (pobreza contrastante riqueza), optando por trabalhar com o chamado início programado voltado às gestantes e famílias com pelo menos uma criança menor de 3 anos e com renda inferior ao salário mínimo. Esse programa vem sendo realizado em nível nacional desde 1994. Segundo Emily, o Early Head Start tem tido uma expansão fabulosa: em 1995, foram eram 68 programas e, em 2003, já somavam 708 programas em todo o país. As bases do programa são o desenvolvimento infantil, em todas as suas dimensões; o desenvolvimento da família sensibilizando os pais para as necessidades da criança; a mobilização da comunidade; a capacitação da equipe e o planejamento e gerenciamento do programa. Entre serviços oferecidos está o cuidado com a saúde, educação, promoção do desenvolvimento familiar, o apoio à comunidade e o treinamento para o pessoal envolvido, gerenciamento. O sucesso do programa, conforme ela, é garantido pela aplicação dos padrões de desempenho na sua execução, daí a preocupação com treinamento de pessoal e o acompanhamento, embora cada instituição tenha liberdade para estabelecer o design do programa conforme sua necessidade. Reggia Emilia Bruna Giacopini é coordenadora pedagógica da cidade de Reggia Emilia, na Itália, onde desenvolve um programa em creches e escolas infantis reconhecido mundialmente pela qualidade da atenção oferecida às crianças de 0 a 6 anos e à família. Ela coordena um Centro Recreativo de Reciclagem para crianças na Itália e é consultora do programa Reggio Children. Esse sistema educacional começou nos anos 50, no pós-guerra, sob influência de Piaget que se baseia no funcionamento da inteligência e da aprendizagem. Não existem as disciplinas convencionais e as atividades pedagógicas são estruturadas por projetos, sempre concebidos pelas sugestões das crianças. Em síntese, posso afirmar que as crianças são, desde o nascimento, ativamente estimuladas em suas sensibilidades táteis, criativas, estéticas, auditivas, lingüísticas, visuais, espaciais, entre outras, por pais que aprendem essa maneira de agir na escola, completa Bruna. As ações no desenvolvimento das diferentes fases do projeto - essas sempre claramente definidas - são muitas vezes filmadas e gravadas, fornecendo aos professores elementos para discutir os níveis de entendimento, os enganos e as percepções das crianças e as linguagens que utilizam ou poderiam utilizar. Cada etapa do projeto é ilustrada por elas e fica exposta no espaço que ocupam. Inspirado em Piaget, o sistema educacional evita a imposição às crianças de como devem trabalhar com números, quantidades, dimensões, classificações, formas, velocidade, mudanças e outros conceitos e, assim, substitui essa programação ao levá-las a construir espontaneamente esses conceitos nas brincadeiras, nas suas falas e nas experiências cotidianas da vida. A pedagoga italiana afirmou que o conhecimento está na capacidade de fazer perguntas e não de ter as respostas. O compromisso com diferentes linguagens, com o confronto e a discussão de temas remete para a aceitação de que aquilo que as crianças pensam não é um erro, mas uma teoria, um processo de conhecimento. A linguagem dos bebês O dr. Kevin Nugent falou sobre a importância dos pais aprenderem a linguagem dos bebês. É comum, depois do nascimento de um bebê, os pais se pergutarem: o que eu faço agora? Por isso, fizemos uma escala, que funciona como uma ferramenta para os pais decodificarem o que o bebê tenta lhes comunicar, afirmou Kevin. Ele lembrou que já está comprovado que os bebês se comunicam mesmo dentro do útero, bastando observar sua expressão corporal, seus movimentos faciais, o riso e o choro para entender sua linguagem. O painelista destacou, ainda, que a capacidade auditiva dos bebês deve ser estimulada, tendo em vista que eles mostram preferência pela voz da mãe, já que carregam a experiência do útero. Para concluir sua palestra, o dr. Kevin apresentou um vídeo onde mostrou parte de um projeto de pesquisa seu, onde uma mãe com sinais de depressão recebe auxílio médico para compreender a linguagem de seu bebê. A médica Susan OBrian mostra para a mãe como o bebê se comunica com ela virando sua cabeça ao ouvir o som de sua voz, acompanhando com o olhar o deslocamento da mãe ao seu redor. Ao final do vídeo, o painelista ressaltou que os bebês fazem parte da vida de cada família e não podem ser ignorados, sob pena de prejudicar o seu pleno desenvolvimento. O Seminário teve início quinta-feira (20), e está sendo realizado na Universidade Luterana do Brasil, em Canoas. O evento encerra-se amanhã (22), às 20h, e é uma promoção do programa Primeira Infância Melhor coordenado pela Secretaria Estadual da Saúde e executado em parceria com as Secretarias Estaduais da Educação, da Cultura e do Trabalho, Cidadania e Assistência Social. A Ulbra, a Prefeitura de Canoas, a Unesco, o Unicef, a Corsan e o Gabinete da Primeira-Dama apoiam o evento. O evento integra a programação da Semana Estadual do Bebê, que termina no domingo (23), na Redenção, com solenidade a partir das 10h, junto ao Monumento ao Expedicionário.
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