Defesa Civil estuda prevenção para efeitos do El Niño
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Com o objetivo de prevenir o Estado para a chegada do fenômeno El Niño, previsto mais intensamente para os meses de agosto e setembro, o Conselho Técnico de Defesa Civil (Contec) reuniu-se nesta quinta-feira (25) no Galpão Crioulo do Palácio Piratini. Para explicar os possíveis efeitos do fenômeno foi chamado o meteorologista Eugênio Hackbart, do Centro de Climatologia Urbana de São Leopoldo. Segundo Hackbart, as regiões Nordeste e Fronteira Oeste deverão ser as mais atingidas pelo El Niño, ocasionando fortes temporais, enchentes e chuvas de granizo. Como sintomas do fenômeno, o meteorologista apontou as temperaturas elevadas do último outono, índice de chuva acima da média e grande oscilação da temperatura. Em 1997, o RS foi atingido por fortes enchentes e enxurradas que deixaram 162 municípios em situação de emergência. O fenômeno repetiu-se no ano passado, quando 115 cidades foram atingidas. O El Niño pode trazer conseqüências desastrosas para o Estado. Este trabalho de prevenção é muito importante para minimizar os seus efeitos, disse. Hackbart destacou também a parceria informal que a Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec) tem com o Centro de Climatologia Urbana de São Leopoldo desde janeiro de 2001. Temos trabalhado junto, mantendo o Estado avisado sobre possíveis ocorrências climáticas mais extremas, disse. Para o professor, finalmente o Estado está aproveitando o trabalho de técnicos capacitados, que possuem estudos profundos nesta área, para planejar suas ações na defesa da vida. Esta é uma iniciativa louvável por parte da Defesa Civil estadual. De acordo com o coordenador estadual da Defesa Civil, coronel Lauri Schroeder, o Estado está organizando um plano de ação para responder com mais agilidade e eficiência aos possíveis danos causados pelo El Niño. Para tanto, contamos com o apoio indispensável dos municípios e da sociedade gaúcha, disse. Segundo Schroeder, apenas 20% dos municípios gaúchos possuem atualmente uma estrutura local de defesa civil e destas, cerca de 10% atuam de forma efetiva. Para minimizar esta situação, destacou, o Estado instalou cinco Coordenadorias Regionais de Defesa Civil (Redecs) para agilizar o atendimento às comunidades atingidas, prestar consultoria aos municípios e aproximar a população gaúcha da instituição. As Redecs estão instaladas em Santo Ângelo, Porto Alegre, Pelotas, Passo Fundo e Santa Maria. O trabalho mais importante das Redecs é justamente buscar a criação, nas regiões em que atuam, de estruturas locais de defesa civil. O ideal seria que cada cidade gaúcha tivesse uma estrutura própria de atuação. Queremos constituir uma grande rede estadual de defesa civil, apontou. O Contec é um órgão de assessoramento e apoio técnico que reúne representantes das secretarias de Estado e integrantes de órgãos vinculados às ações de defesa civil, como Corpo de Bombeiros, Brigada Militar, Policia Civil, entre outros. A próxima reunião do Contec ficou marcada para o dia 29 de agosto. Alerta Meteorológico No encontro, a Defesa Civil também divulgou um alerta meteorológico enviado ontem (24) pelo Centro de Climatologia Urbana de São Leopoldo. De acordo com o documento, até o final da semana, haverá a possibilidade de volumes pluviométricos superiores a 100 milímetros, reforçando a necessidade de monitoramento em áreas de risco como encostas, áreas ribeirinhas de rios e córregos. O documento já está no site da Defesa Civil - www.defesacivil.rs.gov.br - e foi enviado às Coordenadorias Regionais de Defesa Civil (Redecs) e para os 12 comandos regionais do Corpo de Bombeiros. O fenômeno El Niño O El Niño é um estado anômalo da natureza, resultado de uma interação do sistema oceano-atmosfera no Pacífico equatorial, que tem conseqüências importantes para as condições de tempo ao redor do globo. Registra-se aumento da precipitação na linha meridional dos EUA, inundações destrutivas no Peru, Equador e sul do Brasil e seca no Pacífico Ocidental, ocasionando incêndios devastadores na Austrália e na Indonésia. Grande parte das Regiões Norte e Nordeste do Brasil passa por longos períodos de estiagem. O El Niño é caracterizado como sendo um fenômeno de larga escala, que ocorre na costa do Peru e consiste no enfraquecimento dos ventos alísios e no aquecimento das águas da superfície do Oceano Pacífico Equatorial ao longo do equador. O evento El Niño ocorre irregularmente em intervalos de 2 a 7 anos, embora ocorra em média uma vez em períodos de 3 a 4 anos. Tem uma duração entre 12 a 18 meses e é acompanhado por uma oscilação da pressão atmosférica ao nível do mar (gangorra barométrica) entre o hemisfério ocidental e oriental. Durante o El Niño, observa-se a alta pressão atmosférica ao nível do mar na região do Oceano Índico e Pacífico Tropical. Assim, a tendência da pressão é permanecer alta a oeste da linha da data (fuso horário de 180°) e baixa para o lado leste da linha da data. Este balanço da pressão também tem sido ligado aos períodos de anomalias de baixas temperaturas da superfície do Pacífico às vezes referido nos eventos frios La Niña. Durante o El Niño, os ventos alísios diminuem sua intensidade sobre o Pacífico central. Estes ventos, que normalmente sopram no sentido leste/oeste com velocidades de até 15m/s, elevando a termoclina (gradiente vertical de temperatura das águas) e aumentando o nível das águas próximo à Austrália, têm sua velocidade reduzida para cerca de 1 a 2 m/s e sua direção na faixa de 5ºNorte a 5ºSul. As águas, não tendo mais sustentação a oeste do Pacífico, movimentam-se em direção à América do Sul em forma de ondas conhecidas como Ondas de Kelvin, elevando o nível do mar no lado leste. O deslocamento das águas traz consigo a fonte de calor para a costa da América do Sul, gerando mudanças na circulação geral da atmosfera, atingindo até regiões remotas do Pacífico Equatorial.