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Discurso do Governador - Metade Sul e Fome Zero

Publicação:

Palestra do governador Germano Rigotto no Diálogo para Concertação do Programa Fome Zero e Política Integrada de Desenvolvimento e Inclusão Social da Metade Sul do RS Santa Maria, 29.05.2003 Este evento, por sua concepção, formatação, composição, temário e objetivos constitui um bom exemplo dos novos tempos que nos empenhamos em construir, estamos construindo, e haveremos de construir - a despeito eventuais resistências e inconformidades - para o Brasil e para o Rio Grande. Tenhamos em mente a bíblica advertência sobre a fragilidade da casa dividida. Ela aponta para a necessidade de desprezarmos divergências menores, nos empenharmos em resolver as maiores, unirmos esforços, e estabelecermos parcerias com vistas ao bem de nossa população. Isso não significa que tenhamos estabelecido um consenso final e definitivo, que possa ser visto como a solução única ou o fim da história, como por vezes pretendem alguns pela esquerda e pela direita. Isso significa algo bem diferente: que nos defrontamos com uma realidade perante a qual as correntes de opinião mais responsáveis e as mais nobres forças políticas, em vez de produzir cisão, convergem para buscar soluções. Não. Não terminou a Política. Não terminou a História. A Política e a História subiram a um patamar mais elevado. Aqui, a dar testemunho desse patamar mais elevado, estão os elementos constituintes da Federação brasileira: a União Federal, representada nas pessoas dos ministros Olívio Dutra e Tarso Genro, o Estado, e os municípios, representados pela pessoa do prefeito Valdeci Oliveira, desta acolhedora Santa Maria. O que temos em mira com este diálogo é, exatamente, a concretização daquilo que está na alma de todos nós: o desenvolvimento econômico e a inclusão social da Metade Sul. E por estar na alma de todos nós, se constitui em fator de unidade. Ao declinar o objetivo deste encontro estou pronunciando as palavras que definem dois dos quatro eixos principais de nosso governo: atração de investimentos e desenvolvimento econômico; e inclusão social. Aos quais se acrescenta um terceiro eixo, através do qual a Metade Sul vai para o centro das preocupações do governo: a superação dos desequilíbrios regionais. Criamos uma secretaria de estado com esse objetivo e todas as ações de nosso governo são referidas e ponderadas em relação a ele, por uma questão de justiça. O próprio projeto do Fundopem, ao ser regionalizado, quer promover a descentralização do desenvolvimento industrial. A análise dos números relativos ao Produto Interno Bruto estadual, desdobrado por região, deixa muito evidente que a renda estadual se concentra nos pólos industriais da Região Metropolitana e seus arredores. E vai diminuindo muito, à medida em que as economias vão se tornando dominantemente vinculadas à produção primária. As poucas exceções a essa regra geral se referem a municípios onde as cadeias produtivas, bem integradas, promovem uma distribuição mais equânime do produto econômico. Portanto, o Governo do Estado vem atuando, também, no sentido de estimular a articulação das cadeias produtivas em câmaras setoriais, com o intuito de desobstruir gargalos, adequar a produção e as técnicas produtivas ? agropecuárias e industriais ? às exigências do mercado, unindo os esforços do setor econômico da mesma forma como estamos unindo esforços do setor público e político. *** Nosso estado, por outro lado, apresenta notáveis atrativos, de cujo efeito sobre os investidores nacionais e internacionais posso dar testemunho eloqüente pois não passa semana sem que sejamos procurados por empresários desejosos de investir ou ampliar seus investimentos no Rio Grande do Sul. E nós os haveremos de direcionar para as regiões a cujo desenvolvimento precisamos conferir novos rumos e novos ritmos. Muitos gaúchos não sabem que o Rio Grande, com pouco mais de 3% do território brasileiro e com 6% da população nacional, se fez, graças ao trabalho de nossa gente, o maior produtor de grãos do Brasil, o segundo pólo comercial e o segundo pólo da indústria de transformação. Somos largamente superavitários em nossa balança comercial e nossos produtores primários, nos períodos mais críticos das exportações industriais brasileiras, garantiram os saldos positivos do comércio internacional do Brasil. Somos competitivos porque quase uma quarta parte de nossa população está em salas de aula, porque temos mais de setecentos estabelecimentos de ensino superior, porque mais de cem mil gaúchos freqüentam escolas técnicas, porque temos o melhor índice de desenvolvimento humano do Brasil e a melhor qualidade de vida. Temos água, transporte, portos, energia, comunicações em abundância. Tudo isso nos infunde um sentimento de fé no futuro do Rio Grande, e de orgulho pela capacidade de realização de nossa gente. A Metade Sul do Rio Grande, ao contrário do que alguns equivocadamente julgaram, não precisa que ninguém lhes ensine a produzir porque aqui está disponível a boa técnica e a capacidade de trabalho. Aqui temos boas universidades e gente que sabe fazer. A Metade Sul do Rio Grande, aliás, já se confundiu com o próprio Rio Grande. Aqui estava a riqueza, a produção agropecuária, a maior parte da indústria e do comércio. Aqui estava a parcela mais significativa da arrecadação de tributos, a melhor estrutura urbana e o maior desenvolvimento cultural. As razões dos problemas econômicos da Metade Sul estão fora da Metade Sul. Aqui permanecem ativos os fatores produtivos, à exceção do capital. Os problemas regionais decorreram de políticas públicas equivocadas, que agiram contra a economia local, retiram renda do setor primário - e não só acabaram com a poupança do produtor local como o endividaram ao limite da insolvência. Não bastasse isso, estimularam a concentração industrial no entorno de Porto Alegre e distribuíram de modo equivocado os investimentos públicos. Nosso governo não repetirá esse equívoco! É para lidar com as conseqüências de tais erros que estamos aqui, o governo federal, o governo estadual, os municípios e as organizações da sociedade local. É isso o que nos congrega, como afirmei inicialmente, acima de quaisquer divergências. Sabemos que a justiça - a justiça que o bom e operoso povo da Região Sul pede para si - tem que ser uma virtude na alma dos governantes. Para governar assim estamos aqui. E para que assim possamos prosseguir, pedimos a Deus que nos inspire e nos ajude.
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