Governo assina protocolo para investimento de R$ 37,4 milhões no RS
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O governador Germano Rigotto e a direção da Marisol assinaram, nesta sexta-feira (14) pela manhã, no Palácio Piratini, protocolo de intenções para investimento de R$ 37,4 milhões pela empresa, nos próximos anos, nas três unidades já em operação no Estado e em duas outras a serem instaladas, possivelmente, em Rolante e Riozinho, no Vale do Paranhana. Nas três plantas gaúchas, em Novo Hamburgo, Santo Antônio da Patrulha e Terra de Areia, a Marisol emprega 1.250 pessoas. A partir do novo investimento, deverá oferecer mais 1.020 empregos diretos. De acordo com o presidente da empresa, Vicente Donini, o comportamento do mercado é que vai definir em quanto tempo se completará a aplicação dos R$ 37,4 milhões previstos. A Marisol produz atualmente 14 mil pares de calçados por dia. Em três anos, pretende chegar à produção diária de 25 mil pares. Rigotto elogiou o plano de expansão no Rio Grande do Sul e disse que isso significa que a empresa acredita no Estado e não se deixa levar por incentivos fiscais prometidos por outras regiões, que hoje não conseguem cumprir acordos firmados. A Marisol está considerando a qualidade da mão-de-obra gaúcha, a tradição coureiro-calçadista do Estado, a infra-estrutura e a tecnologia disponível, afirmou. A opção por Rolante e Riozinho como os prováveis municípios a receber investimento, segundo Donini, leva em conta, entre outros fatores, a logística e a facilidade de movimentação de produtos que a localização de ambos oferece. A Marisol comercializa 93% de sua produção no mercado brasileiro e exporta apenas 7%. Na matriz, em Jaraguá do Sul, e nas outras três unidades em Santa Catarina - localizadas em Benedito Novo, Corupá, Massaranduba e Schroeder -, são fabricadas peças de vestuário infantil. Nas cinco indústrias catarinenses trabalham 3,5 mil funcionários. Na planta mantida em Pacatuba, na Região Metropolitana de Fortaleza (CE), onde a Marisol emprega 1,6 mil pessoas, são produzidas roupas para adultos. Incluindo as três plantas gaúchas, de onde saem apenas calçados, o número total de funcionários é de 6,5 mil. A empresa controla também a Marisol Franchising, que opera uma rede de 90 lojas de revenda de roupas para crianças. Até o final deste ano, o número de lojas deverá subir para 105. Reivindicações Durante a assinatura do protocolo de intenções com a empresa, em que estiveram também o secretário do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais, Luis Roberto Ponte, e o diretor-executivo da empresa, Paulo Krause, Rigotto defendeu a necessidade urgente de medidas de apoio ao setor coureiro-calçadista por parte do governo federal. O governador deverá se reunir, dentro dos próximos dias, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para reforçar a necessidade de solução imediata aos prejuízos sofridos pelas indústrias (especialmente as exportadoras) por causa da excessiva valorização do real e da concorrência de produtos chineses. O encontro já havia sido marcado por duas vezes, mas em ambas foi cancelado por motivo de viagem do presidente. Para Rigotto, a decisão do governo federal de garantir salvaguardas a calçados e têxteis, para controlar a competição de artigos da China, não basta. É preciso também maior fiscalização contra a pirataria e a entrada de produtos chineses subfaturados no Brasil. Outro problema levantado pelo governador é a redução da alíquota do imposto de exportação do wet blue (couro bruto), pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), órgão vinculado ao governo federal. De 9%, a taxa foi para 7% e deverá cair a 4%. Defendemos o retorno aos 9%, para não beneficiar empresas de fora em prejuízo das brasileiras, afirmou. Rigotto disse também que o crescimento da despesa fiscal da indústria não decorre de imposto estadual, e sim de tributos federais. Observou que o Governo do Estado baixou de 17% para 12% a tributação do setor coureiro-calçadista na cadeia de ICMS e que não houve aumento de imposto sobre óleo diesel nem energia elétrica consumida pelo setor industrial. Já o governo federal elevou as taxas do PIS e da Cofins. Avalizando a afirmação, o diretor-executivo da Marisol, Paulo Krause, lembrou que, em 2003, o índice do PIS incidente sobre o faturamento das empresas era de 0,65% e o da Cofins, de 3%. O cálculo era cumulativo. Hoje, Cofins e PIS estão, respectivamente, em 7,6% e 1,65%, e são calculados de forma não-cumulativa.