Ilha da Pólvora abrigará Centro de Interpretação Ambiental
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A Ilha da Pólvora, no Parque Estadual do Delta do Jacuí, em Porto Alegre, deverá, ainda em 2003, acolher exposições sobre seus ecossistemas, consolidando o funcionamento de um Centro de Interpretação Ambiental. Os três prédios existentes na ilha - dois deles construídos em 1852 e restaurados entre 1998 e 2000 - o Paiol da Pólvora, a Casa da Guarda e a Casa da Chácara, servirão de sede para o Centro. O Paiol da Pólvora já tem os equipamentos, como aquários, para mostrar aos estudantes, aos turistas e ao público interessado em preservação ambiental, uma exposição com plantas e animais da água e da terra, que vivem no Delta, além de uma maquete interativa, mas está necessitando receber o sistema de som e imagem para poder oferecer informações aos seus visitantes. O que está faltando para que o Paiol abra definitivamente ao público são monitores e vigilantes, num total previsto de 12 funcionários, que recebam os turistas, estudantes e pesquisadores e lhes repassem os dados do que estará sendo exibido. A bióloga Maria de Lourdes Abruzzi de Oliveira, coordenadora do projeto museográfico do Centro de Interpretação Ambiental, durante visita que assessores das secretarias da Cultura, Meio Ambiente, Ciência e Tecnologia e Turismo, além da Uergs, realizaram à ilha segunda-feira à tarde, revelou também que a recuperação arquitetônica dos prédios foi feita pela Fundação Zoobotânica, podendo, num futuro próximo, serem visitados por turistas brasileiros e estrangeiros, incentivando a execução de projetos de ecoturismo e educação ambiental. Não há ainda definição de como os turistas serão levados à ilha, mas possivelmente isso ocorrerá por meio de empresas de turismo. Outras secretarias, como a do Turismo, Desporto e Lazer, que têm mais experiência na recepção de visitantes, deverão ser chamadas para atender a essa necessidade do Centro. As paredes de alvenaria das três casas, informou a coordenadora, puderam ser aproveitadas e as restaurações basicamente substituíram o madeirame, com o apoio do projeto Pró-Guaíba. No Paiol da Pólvora, por exemplo, o visitante poderá ver animais aquáticos nos aquários. No casarão, em forma de um templo, há animais de terra empalhados, representando o cenário da fauna situada no Delta. Ao todo, o Estado investiu R$ 1,8 milhão, contando com todos os equipamentos que permitem que o Centro, até o final de 2003, se depender somente da vontade de bióloga Maria de Lourdes, funcione. De acordo com a coordenadora, não há perigo de alguma enchente, que ocorrem freqüentemente no estuário do Guaíba, vir a inundar a Casa da Guarda, onde serão realizadas palestras com apresentação de vídeos, com capacidade para 30 alunos ou visitantes. Os pilotis alcançam de 80 centímetros a um metro de altura, e o prédio foi todo erguido em arcos, permitindo que a água circule, independentemente do seu volume. A Casa da Chácara, uma antiga fazenda, onde havia um depósito de pólvora, administrada por dois caseiros que há 43 anos estão residindo ali, abrigará a administração do Centro, podendo vender artigos, com salas de exposições e um bar para o público, depois de receber uma faxina em seus assoalhos. É idéia de Maria de Lourdes promover no local eventos sobre a religiosidade dos ilhéus, as colônias de pescadores e a presença de índios e negros na ilha, resgatando a História dos homens e mulheres que naquele lugar, hoje tomado por muita grama a ser cortada, e algumas cobras, viveram ou a ele estiveram ligados. O diretor do Departamento de Florestas e Áreas Protegidas da Secretaria do Meio Ambiente, Antônio Carlos Bueno e Souza, informou à caravana de assessores das secretarias de Estado que viajaram a bordo do barco Pôr-do-Sol, desde a Usina do Gasômetro até a Ilha da Pólvora, que o Parque Estadual do Delta do Jacuí tem 17 mil hectares, com suas 30 ilhas, espalhado por Porto Alegre, Canoas, Esteio, Eldorado do Sul e Triunfo. O Estado possui 400 mil hectares em parques de preservação ambiental, sendo que um dos mais conhecidos é Itapuã, em Viamão, com sete mil hectares, parcialmente aberto ao público para visitas turísticas aos domingos. O Parque Estadual do Delta do Jacuí já pertenceu à Fundação Metropolitana de Planejamento - Metroplan -, à Fundação Zoobotânica, à Secretaria da Agricultura e, agora, está sob a responsabilidade da Secretaria do Meio Ambiente do Estado. Em seu interior há 12 mil habitantes, sendo sete mil na Ilha da Pintada, a mais populosa. A fiscalização do Parque ocorre com alguma solicitação do Ministério Público ou diante de algum acontecimento como as empresas de entulhos que jogam as caliças no local, agredindo o meio ambiente. A pesca predatória é outra inimiga da preservação do parque. A retirada da areia, realizada durante 24 horas por dia, num profundidade de quatro metros, enchendo barcos em apenas dez minutos, também fere os escossistemas, reconheceu Maria de Lourdes, estando proibida numa extensão de um quilômetro do Parque Estadual do Delta do Jacuí. A visita dos assessores à ilha foi uma iniciativa de uma comissão informal, criada em janeiro de 2003, que reúne secretarias de Estado com atuação afim para troca de experiências e informações, visando à integração dessas instituições do Estado. A Secretaria de Estado da Cultura esteve representada pelo assessor de Projetos Especiais, Hans Peter.