INAUGURAÇÃO DA SALA DE IMPRENSA DO PALÁCIO PIRATINI
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YEDA CRUSIUS (Governadora do Estado do Rio Grande do Sul) - Eu quero dar um pouquinho de solenidade ao ato. Para os que já me conhecem um pouco melhor e os que conhecem o número três sabem bem que a gente é feito de dois e se faz. Dois, o pai e a mãe, e a gente se faz. E a gente não é número par, a gente é sempre número impar, e aí enfrenta os desafios que vida traz, aqueles que a gente enxerga, aqueles que a gente tem capacidade de enxergar. Os que me conhecem um pouquinho melhor sabem que eu sou filha de dois polares. Eu sou filha de um pai mineiro e maçom, em que a ordem prevaleceria sobre tudo, e de uma mão italiana e anarquista. Eles conviveram, fizeram seis filhos. Se isso é possível? Eu sou aquele três ainda buscando identidade. Quando eu vim ao Rio Grande do Sul, pelas razões das mais diversas, seja esta vida, as passadas, as futuras, eu disse é aqui. E quem fica no Rio Grande do Sul aprende a valorizar cada ato da sua história, cada traço da sua cultura, e cada coisa meio dita, meio não dita, coisa que cabe à imprensa fazer, porque à imprensa não cabe dizer tudo. Impossível dizer tudo.
E quando eu cheguei ao Palácio, e nas várias diversas vezes em que eu disse que ia chamar a Brigada e cercar o Palácio e decretar a Legalidade, porque o que gente passa por aqui é uma experiência espetacular e maravilhosa, e só consegue a força de onde a força emana. Por alguma razão, de acerto, intuição, respeito, o Piratini passa pelo porão. Ele passa pelo porão. Quando eu conheci o porão, eu disse que o primeiro justiceiro do trabalho que passar por aqui, fecha. Aqui não se respira, mas aqui se trabalha desde sempre que foi construído o Palácio, em nome da construção da verdade pelos meandros da imprensa, constrói-se a verdade dando voltas. Às vezes deve ser direto. Então, a solenidade que eu quero dar é cumprimentando os secretários que aqui estão. José Alberto Wenzel, da Casa Civil, Celso Bernardi, das Relações Institucionais, o João Fischer, melhor ajudante que eu já vi no pegar o papel um por um, o Coffy Rodrigues que está por aqui, nosso deputado estadual, e principalmente aos familiares. O Ricardo está aqui, Maria Tereza, Maria Bethânia, Leonel Chaves, neto, Lorene Chaves, nora, e eu fico muito orgulhosa da família ter vindo pela homenagem que o Jefferson foi pesquisar.
Demorou um pouquinho. Nós quisemos abrir o porão, trazer o porão à realidade de hoje, onde paredes não existem, tudo se escuta, tudo se grava e alguma coisa se difunde. E a redação que eu conheço, a redação que com muita alegria tive a ocasião de participar, antes em São Paulo e agora no Rio Grande do Sul, durante muito tempo, ela precisa disso: das pessoas se enxergarem, precisa ir lá fora, precisa ser invadida de vez em quando, a gente já sofreu várias invasões aqui. Então a família vir aqui valoriza toda uma história que vocês puderam viver e eu quero registrar. Eu escolhi a economia não apenas pela lógica da economia, que busca explicar porque tem pobre e rico, que isto quem estuda história vai saber explicar melhor, e quem quiser ainda poder prever através das estatísticas e das matemáticas vai ajudar o mundo, isso é economia. É conhecendo o passado pela história, é se importar com a diferença entre rico e pobre, e é saber que a gente está aqui para escrever a futura história. E economista escreve a partir de números, aliás, mistura letras com números, uma coisa que é, enfim, o que eu busquei fazer no cursos de jornalistas que eu pude dar. Então, obrigada pela família estar aqui revendo amigos e a história que eu quero escrever é a partir da história da Legalidade.
Não a vivi, vivo na arquitetura dela, e sei que todos que permanecem vivos, prezam a história, vão querer participar. Eu decidi que vou transformar o porão no Museu da Legalidade. Não a vivi, mas quando eu trouxe aqui o ministro Fernando Haddad, da Educação, para ir ainda no mesmo lugarzinho onde se grava o rádio, não se respira lá dentro. Quando eu cheguei aqui era só ácaro, cupim, até troquei a bandeira que estava toda, não desfraldada, mas estava toda desbotada, e ele disse: nós no Largo de São Francisco fomos dados a estudar os movimentos de resistência, e o movimento de resistência que me conquistou foi a Legalidade, e não acredito que estou no local dela. E aqui gravou e aqui prometeu que vai dar o pila, a grana, a bufunfa, nós vamos ter quem pague o Museu da Legalidade, que é o que eu espero que seja a próxima etapa a gente construir, depois de ter aberto o porão para respirar, para receber, enfim, para fazer viva esta que é uma das maiores noções da história, que é a imprensa.
O Rocki, que está aqui como desembargador, chique, os homenageados do nosso Paulo Dias, Franklin Dias, pai, Diele Dias, filha, obrigada! O jornalista Erci Torma, que veio em nome de todos. O Ricardo Azeredo, nosso presidente da TVE, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul, José Nunes. A coordenadora de Imprensa do Palácio Piratini, que foi uma das gaúchas que eu trouxe de volta. Quando nós montamos o governo eu fui à cata dos gaúchos para que ele fossem, a partir da nossa estátua do Laçador, aqueles a que parece que o Laçador diz: pode ir, vivente, mas ele está lá para dizer: bem-vindo de volta. Então, a Ecilda é uma gaúcha que eu trouxe de volta, assim como vário outros, e que hoje coordena, com a sua capacidade de imagens e sensibilidade, o nosso porão. Coordenador de jornalismo, Joabel Pereira. Ele desde que ganhou cabelo branco, faz uns 30 anos, diz que pertence ao Jurassic Park, mas ele quer chegar lá e nós vamos fazer o possível para ele chegar lá, assim como ele é: aberto, de bom humor, brincalhão. O presidente da Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul, José Itamar Rocha de Aguiar, e o coordenador de fotografia do Palácio Piratini. Tu tens razão, ele é disparado, apesar de colorado, o melhor. É o melhor, e aqui democracia impera, todos podem continuar a torcer pelo seu time e eu não pergunto de qual time é quando eu busco que venham compartilhar dessa dificuldade imensa que é governar o Rio grande para a mudança.
A mudança que me coube fazer, porque qualquer mulher na minha idade, e com o que eu já fiz na vida, considera-se, ela própria, um movimento de resistência. Não é fácil. E eu quero compartilhar com todas as mulheres isso, porque, de alguma maneira, este povo gaúcho quebrou paradigmas ao eleger quem não nasceu aqui. Mas um Torma, um Azeredo, um Bernardi, um Wenzel, um Aguiar, ninguém nasceu aqui. Ou vem de Portugal, ou da Itália, ou é polaco, ou é negro ou índio. Ninguém nasceu aqui. Essa terra se faz com gente que decide ficar, e eu me senti absolutamente feliz de poder dar o que eu posso, em um período de quatro anos, para valorizar aquilo que eu tenho como meta a cada dia que eu acordo e vou dormir: valorização da verdade mesmo que eu não a possa contar. A gente só conta depois. A gente vive o dia, mas a verdade eu só vou contar depois. Enquanto isso, eu quero que a verdade, do que já foi se manifeste na forma de registro da história, e é esse registro desse porão aberto, com luzes, celebrando vocês, todos que vieram aqui, das mais diversas tendências e nuances diferenciadas que possam vir a ter, mas que estão aqui porque sabem que, emitindo a opinião que têm, o valor vem junto.
Não importa de que lado é, mas tem que emitir a opinião que tem. A pior coisa é falsear acerca do que tem e do que conhece, por medo. A maior parte é isso, ou porque realmente desconhece o teor e luminosidade que a verdade tem dentro de si. Eu estou muito alegre, muito feliz, na data de hoje e poder devolver um pouquinho e poder registrar para meus filhos e meus netos, nascidos aqui, mas que vão andar o mundo, eu não os prendo aqui, pelo contrário a história do gaúcho é ir e poucas vezes voltar. Então, por isso, eu agradeço à Ecilda, ao Joabel, que ficou, a todos vocês que permanecem pelo fato de estarem celebrando entre vocês uma homenagem, e essa homenagem que eu quero através do Jefferson, da sua visão diferenciada, porque quem faz fotografia vê diferente, e se tem capacidade e experiência consegue registrar e transmitir para os outros aquilo que está vendo a partir da fotografia. Que seja através da fotografia, que é o instantâneo parado de alguma coisa que já foi, que a gente consiga permanentemente ir escrevendo a história. Essa é a homenagem aos meus filhos e netos que eu pude gestar e parir aqui no Rio Grande do Sul, e que ninguém me tire essa verdade. Eu sou mãe gaúcha, eu sou avó gaúcha e que ninguém me tire que eu sou daqui.