Investigação obrigatória identifica causas de óbitos materno-infantis no Estado
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A repercussão da mortalidade materna e suas conseqüências sobre os índices de óbitos infantis é uma questão de exclusão social. A constatação foi feita pelo coordenador da política de Atenção Integral à Saúde da Mulher da Secretaria da Saúde do Estado (PAISM-SES-RS), Flávio Vieira. Ele esteve presente quinta-feira (10) no I Fórum Estadual de Vigilância da Mortalidade e o I Fórum Estadual de Investigação do Óbito Materno e Infantil, promovido pela Secretaria da Saúde do Estado SES-RS), na Associação Médica do Rio Grande do Sul (AMRGS), em Porto Alegre. Segundo Vieira, a mortalidade materno-infantil deve ser medida em termos quoficientes e sua redução só será efetivada com políticas públicas que considerem as suas causas. Para ele, a regulamentação da investigação dos óbitos, por meio da portaria 32/2002 da SES/RS, é uma oportunidade única em que se ousa tornar obrigatória a investigação da morte materna e infantil e esta é a nossa vez de fazermos saúde pública. Sobre a situação da mortalidade infantil no Estado, o técnico da Política de Atenção à Criança e Adolescente (PAISCA-SES-RS), Érico Faustini, disse que, a partir de um estudo feito em uma amostragem de 151 óbitos ocorridos em crianças de 28 a 365 dias de vida, as principais causas detectadas foram a prematuridade, o baixo peso, a falta de atendimento pré-natal. Outros fatores que interferem é a idade e escolaridade da mãe. Ele informou que 35% dos óbitos ocorrem em filhos de mães com mais de 35 anos, 10% de mães com menos de 19 anos, 12% de mães analfabetas e 18% em bebês com menos de 2,5 quilos. Para a Coordenadora PAISCA-SES/RS, Ana Maria Moreira com a obrigatoriedade da investigação, agora será possível subsidiar o planejamento e a gestão de políticas e ações, identificando as causas de forma local e mais precisa. O trabalho de investigação levará em conta a morte por múltiplos fatores, averiguando a rede de eventos, o papel das instituições e das famílias e seu determinantes sócio-terapêuticos, diz Ana Maria. Também participaram do evento a representante da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (CRS), com sede em Santa Maria, Mariluza Heberlê Reis, e a coordenadora do Programa Prá-Viver da Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre, Gehysa Guimarães Alves. Ambas falaram sobre as experiências locais no âmbito da investigação de óbitos e a integração da rede de informações formada pelo Estado, Coordenadorias Regionais e municípios.