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Leite anuncia redução da tarifa por quilômetro do Bloco 2 de rodovias e mudança na data do leilão

Após contribuições do TCE-RS, edital será republicado com tarifa menor e com inclusão de mecanismo de compartilhamento de risco

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Salão amplo com piso de madeira e cortinas douradas ao fundo. Cinco homens estão à frente: um em pé falando ao microfone e quatro sentados em cadeiras ao lado. Duas telas exibem “Programa de Parcerias e Concessões – Bloco 2”. Há público sentado de frente para eles.
Governador ressaltou postura da gestão de dialogar e incorporar ajustes que qualificam o projeto - Foto: Maurício Tonetto/Secom

O governador Eduardo Leite anunciou, em coletiva de imprensa realizada no Palácio Piratini nesta terça-feira (3/3), a redução da tarifa e mudança na data do leilão do Bloco 2 de rodovias. O bloco envolve estradas localizadas no Vale do Taquari e Norte do Estado. Também participaram do encontro os secretários da Reconstrução Gaúcha, Pedro Capeluppi, e de Logística e Transportes, Juvir Costella, além do chefe da Casa Civil, Artur Lemos, e do procurador-geral do Estado, Eduardo Cunha da Costa.

A tarifa quilométrica foi reduzida de R$ 0,19 para R$ 0,18, uma diminuição de 5%. A alteração se deu após contribuições das análises do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE-RS), publicadas em um novo relatório.

Transparência e coerência

Foram 49 itens analisados pelo serviço de auditoria do TCE-RS, com 44 pontos sanados ou esclarecidos por parte do governo do Estado. Cinco deles constarão na republicação do edital da concessão, prevista para a primeira quinzena de março – entre eles, a atualização do valor da tarifa. As contribuições do tribunal serão incorporadas nas próximas concessões e são vistas pelo governo como uma maneira de tornar o processo de estruturação das concessões cada vez mais acurado.   Em razão da alteração do projeto, a nova data do leilão será em maio ou junho, na B3, em São Paulo, e a assinatura de contrato em outubro deste ano. Conforme Leite, a auditoria do TCE-RS não apontou nenhuma irregularidade no projeto.

“Não houve qualquer apontamento de irregularidade. Pelo contrário, o relatório atesta a aderência técnica e a coerência metodológica do projeto, seguindo as melhores práticas. O que houve foram contribuições as quais entendemos que deveriam ser incorporadas para deixar o processo ainda mais claro, transparente e seguro”, afirmou o governador.

Além das contribuições acolhidas, o próprio TCE reconheceu expressamente a regularidade e a consistência técnica do projeto. A equipe de auditoria apontou que as respostas do Estado atenderam de maneira substantiva às solicitações feitas, incorporando ajustes metodológicos relevantes e coerentes com as melhores práticas de avaliação econômico-financeira.

Leite, homem de cabelo castanho escuro e barba curta, usa camisa azul clara e segura um microfone e um controle de apresentação. Ele fala com expressão séria. Atrás dele, uma tela exibe o texto “Programa de Parcerias e Concessões – Bloco 2”.
"Foram contribuições as quais entendemos que deveriam ser incorporadas para deixar o processo ainda mais claro", explicou Leite - Foto: Mauricio Tonetto/Secom

O relatório registra que a modelagem revisada demonstra transparência, coerência interna e aderência ao mercado. A conclusão é de que os parâmetros adotados são tecnicamente defensáveis e compatíveis com o histórico recente das concessões rodoviárias no país, sem qualquer recomendação de suspensão do processo.

Leite destacou que o governo poderia ter sustentado sua modelagem original, mas optou por acolher as sugestões do órgão de controle. “Nós poderíamos insistir na data do leilão e defender a metodologia adotada, mas nossa posição sempre foi a de dialogar e incorporar ajustes quando eles qualificam o projeto. Isso demonstra compromisso com o diálogo institucional e com a melhor entrega possível para a sociedade”, ressaltou.

Economia

O governador enfatizou que a redução da tarifa de R$ 0,19 para R$ 0,18 por quilômetro representa economia direta para os usuários. “Esse ajuste, fruto da análise técnica do tribunal, resulta em uma tarifa menor no leilão e, portanto, em economia para quem utiliza as rodovias. Estamos falando de uma redução acumulada relevante desde a modelagem inicial, garantindo modicidade tarifária com robustez de investimentos”, pontuou.

Leite também reforçou que não há possibilidade de o Estado recuar no programa de concessões. “A escolha é agora. Não existe a hipótese de o Estado simplesmente não fazer as concessões. Temos pressão crescente sobre o orçamento, com ampliação dos investimentos obrigatórios em saúde e educação e a necessidade permanente de fortalecer a segurança pública. Infraestrutura não tem mínimo constitucional garantido. Se não fizermos concessões, não teremos como assegurar os investimentos robustos que as nossas estradas precisam”, afirmou.

Sobre o Bloco 2

O Bloco 2 compreende 32 municípios, que representam 17,5% da população do Estado, e prevê R$ 6 bilhões de investimentos – com R$ 1,5 bilhão de aporte do governo do Estado, via Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs). Nos primeiros dez anos da concessão, o investimento será de R$ 4,6 bilhões. O projeto contou com a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a estruturação da proposta.

Secretário veste camisa branca e segura um microfone. Ele fala olhando levemente para o lado. Ao fundo, há uma tela grande com uma apresentação colorida e um tripé com câmera, indicando evento oficial ou coletiva.
"A análise do tribunal atesta, mais uma vez, que nosso projeto é bem embasado tecnicamente", disse Capeluppi - Foto: Mauricio Tonetto/Secom

Ao todo, 409 quilômetros de extensão integram o bloco de rodovias, abrangendo trechos da ERS-128, ERS-129, ERS-130, ERS-135, ERS-324 e RSC-453. A concessão prevê 182 quilômetros de duplicações, 71,5 quilômetros de terceiras faixas, 745 quilômetros de acostamento e 37 passarelas de pedestres, entre outros benefícios. Atualmente, todas as rodovias mencionadas são de pistas simples, com alguns trechos com terceiras faixas. O bloco contará com o sistema free flow, que não teve mudança na localização dos seus pórticos em relação ao publicado na primeira versão do edital.

Para Capeluppi, um ciclo longo de estruturação e execução confere qualidade técnica, participação social e segurança ao contrato da futura concessão.

"O novo edital irá trazer as respostas às últimas solicitações ao TCE, como vem acontecendo ao longo destes vários meses de diálogo transparente. Ao final, todos os pontos foram esclarecidos. A análise do tribunal atesta, mais uma vez, que nosso projeto é bem embasado tecnicamente e não apresenta irregularidades", afirmou Capeluppi.

Mudança na administração das estradas

Com a realização da concessão, as rodovias que atualmente são administradas pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) passarão para o consórcio privado que vencer o leilão. Com isso, a empresa pública deixará de operar nos locais.

Texto: Lucas Barroso/Ascom Serg
Edição: Secom

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