Piscicultura é boa alternativa de geração de renda mesmo com dificuldades
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Acompanhamento do crescimento dos peixes pelo produtor, superação das dificuldades na aquisição de matéria-prima enfrentada pelas empresas e utilização de uma alimentação natural baseada em fito e zooplânctons podem gerar melhores resultados para a piscicultura. Apesar de entraves, todos os palestrantes que trataram hoje (03) sobre o tema peixe cultivado, espécies nativas, nutrição e agroindústria, no Caminhos da Integração, acreditam que a exigência de mercado consumidor e a diminuição dos estoques da pesca extrativa são os principais motivos para o crescimento da piscicultura no Estado, gerando maior renda para os agricultores familiares. A programação conjunta entre Emater, Fepagro e Ufrgs aconteceu no mini-auditório dos Caminhos da Integração e foi coordenada pelo assistente técnico estadual de piscicultura e pesca da Emater, José Carlos Severo, que destacou o interesse das entidades em dar um enfoque, neste ano, para toda a cadeia do pescado, abordando principalmente a indústria. O zootecnista da Emater, João Alfredo de Oliveira Sampaio, apresentou as etapas de implantação da piscicultura nas propriedades e comentou que o maior desafio ainda é o acompanhamento do crescimento. O produtor tem que fazer o manejo de forma correta, cuidar a biometria e utilizar a quantidade certa de alimentação, ressaltou. Segundo Sampaio, a pesca extrativa está diminuindo e a única possibilidade de ampliar o cultivo e a oferta no mercado é através do peixe cultivado. A piscicultura acaba puxando a ampliação da renda e se torna um dos destaques na propriedade, disse o zootecnista. O sócio diretor da indústria de pescado Três Vales, Maurício Braun, contou que a empresa foi instalada em 2001, abate atualmente três mil quilos de peixe por dia e está planejando a expansão. A nossa maior dificuldade é a aquisição de matéria-prima, pois falta profissionalismo do produtor, que não consegue estimar a quantidade e nem o peso dos peixes que tem nos tanques, avaliou Braun. Braun acredita que devido a boa produtividade da carpa e sua melhor adaptação ao clima, deveria se incentivar o consumo, tendo em vista que o mercado ainda vê este tipo de peixe com restrição. A professora Sílvia Souza, da Ufrgs, destacou as vantagens do consumo do pescado para a saúde humana e como fazer para criar peixe de uma maneira mais econômica utilizando a nutrição natural com base em fito e zooplâncton, que são as algas e os pequenos microorganismos vivos presentes na água. A ração acaba se tornando muito cara e anti-econômica se utilizada na alimentação do peixe adulto, declarou Sílvia. O zootecnista da Fepagro Marcus Pinheiro demonstrou o trabalho do Centro de Pesquisa em Aquacultura e Pesca de Terra de Areia, onde são reproduzidas espécies exóticas e nativas e apresentou os resultados conseguidos através de uma pesquisa de cultivo de jundiá em tanques flutuantes na Lagoa dos Quadros. Nós, além de reproduzirmos, também vendemos estes alevinos com o intuito de estimular a piscicultura na região, afirmou. Além da palestra, aconteceram oficinas no espaço da agroindústria familiar, sobre técnicas de corte de pescado.