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Profundas desvantagens marcam o mercado de trabalho feminino

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O mercado de trabalho feminino da RMPA, em 2001, demonstrou as profundas desvantagens enfrentadas por este contingente, sendo um dos principais movimentos a substancial redução do ritmo de crescimento da PEA metropolitana. A informação consta na publicação Mulher e Trabalho, da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Porto Alegre (PED-RMPA), apresentada, na manhã de hoje (07), pela socióloga da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) Irene Galeazzi, e pela coordenadora geral da Mulher, Regina Nogueira, em Porto Alegre. A pesquisa é resultado do Convênio entre FEE, FGTAS/SINE-RS, SEADE-SP, DIEESE e FAT, com apoio da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A taxa média anual de crescimento da força de trabalho (PEA), entre 1998 e 2000, de acordo com a pesquisa, foi de 4,6%, e em 2001, elevou-se em 1%, representando a incorporação de 13 mil homens e 4 mil mulheres na PEA. A desaceleração do ritmo de crescimento foi mais aguda para o segmento feminino, reforçando-se o percentual de 55,5% da presença masculina na força de trabalho regional. O estudo mostra ainda a que ocorreu uma redução no desemprego, onde a taxa total de 16,6% PEA, de 2000, caiu para 14,9%, em 2001. O percentual feminino obteve uma queda importante de 7,1%, atingindo 18,2%. Já, em relação aos homens, o recuo é menos expressivo diante da significativa redução de 13,4% no desemprego masculino, que caiu para 12,3%, percebendo-se assim que mesmo havendo esta alteração positiva, ela não foi capaz de mudar o padrão de distribuição dos desempregados, informou Irene Galeazzi. Ela argumentou que isso fica evidente em função da proporção de mulheres no desemprego ter crescido, em 2001, correspondendo a 54,4% do contingente de desempregados. Em 2000, este percentual esteve em 52,7%. Regina Nogueira assinalou que os dados apresentados reforçam a necessidade da manutenção das políticas e ações do Governo do Estado nos diferentes programas de geração de renda e emprego, voltadas para o público feminino. Entre os programas destacados por Regina estão o Primeiro Emprego, o Família Cidadã , Coletivos de Trabalho e Qualificar/RS. Já o crescimento da ocupação, no ano passado, registrou-se exclusivamente sob a forma de empregos assalariados. Foram abertos 44 mil novos postos de trabalho, sendo 14 mil para as mulheres e 30 mil para os homens. Pelo segundo ano consecutivo, observou-se crescimento no contingente de mulheres no setor público (5,7%), enquanto o dos homens manteve-se estável neste setor. No que se refere ao setor privado, homens e mulheres ampliaram seus contingentes de ocupados em 8% e 6%, respectivamente, constatou Galeazzi. Apesar de o movimento para ocupação e desemprego ter sido positivo, o rendimento médio comportou-se negativamente para ambos os sexos. Para as mulheres, a retração situou-se em 2,8%, ficando o rendimento médio em R$ 564, enquanto o dos homens atingiu R$ 816, perfazendo uma queda de 3,9%. Em 2001, as mulheres tiveram um rendimento médio real equivalente a 69,1% do rendimento dos homens, ocasionando uma discreta melhora no diferencial, confirmada pelos 68,3% do ano anterior. A desvantagem é maior para a mulher negra A inserção das mulheres negras no mercado de trabalho da RMPA é ainda mais desvantajosa. Elas encontram-se na pior situação relativa frente aos outros grupos populacionais, sejam eles, homens negros e não negros e mulheres não negras. As maiores taxas de desemprego, por exemplo, são as das mulheres negras, que também permanecerem por mais tempo desocupadas. Em relação à composição étnica da RMPA em 2001, a população negra constituía 12,1% do total da PIA, enquanto as mulheres negras representaram na PEA 5,8%, ou seja, 98 mil mulheres, de um total de 1692 pessoas. A taxa média de desemprego, para o ano em questão, manteve-se elevada (25,1%), embora tenha sofrido uma redução de 4,9%. Já para os homens negros, a taxa foi de 20,4%. O crescimento da ocupação, em 2001, beneficiou as mulheres negras, trazendo seu contingente para 73 mil pessoas. O nível de rendimentos para as mulheres negras também fica em patamar inferior ao dos demais grupos. O rendimento médio anual decresceu para todos os segmentos. O recuo para as mulheres negras foi de 2,2%, ficando os rendimentos em R$ 371. Esse patamar de rendimentos manteve praticamente inalterado o elevado diferencial existente em relação aos rendimentos das mulheres não negras (37,2%) e passou a corresponder a, apenas, 43,7% do rendimento médio real recebido pelos homens não negros.
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