Programa de Prevenção à Violência discute proposta de restrição à venda de álcool
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A Secretaria da Segurança Pública realizou nesta quinta-feira (5) a primeira reunião extraordinária do Comitê Estadual do Programa de Prevenção à Violência, com discussão sobre álcool e drogas. De acordo com o secretário José Francisco Mallmann, a prevenção é o passo inicial contra a violência e a criminalidade e o programa, institucionalizado pelo governo estadual, é um referencial para ações integradas. Mallmann lembrou que na raiz dos problemas da criminalidade está o álcool que, segundo o secretário, é o principal gerador de violência e destruidor das potencialidades do ser humano. Para ele, o exemplo de Santa Rosa, que recentemente criou legislação reduzindo os horários para o consumo de álcool, resultando na diminuição em 50% das ocorrências, é um exemplo a ser seguido. “Essa medida mostra que políticas públicas efetivas na redução da criminalidade surtem efeito e tem apoio da comunidade”, frisou. O secretário da Saúde, Osmar Terra, disse que a prevenção não pode ser atacada apenas no varejo, mas na raiz, e que o álcool é uma das raízes para a violência e o crime. Conforme Terra, este é o momento dos 50 municípios que aderiram ao Programa de Prevenção à Violência, e das entidades que compõem o programa, encamparem a proposta da Segurança que sugere a restrição à venda de bebidas alcoólicas. Na avaliação de Osmar Terra, o debate precisa ocorrer de forma coletiva, com a participação de todos os segmentos, para a implementação imediata da medida. Vetor de violência Em sua palestra, o representante da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead), Sérgio de Paula Ramos, afirmou que em 33 anos de trabalho direcionado ao tema, esta é a primeira vez que percebe uma intenção real e ações efetivas no combate aos malefícios das bebidas alcoólicas. Enumerou que, no Brasil, o álcool é responsável por 36,2% dos homicídios, que em 72,6% dos processos criminais o autor ou a vítima estava alcoolizada, e que 81,8% das vítimas fatais em acidentes de trânsito apresentavam alcoolemia. “Tenho certeza de que o principal vetor da violência urbana hoje no país é o álcool”, frisou Ramos. Apontou que na rede pública de ensino de Porto Alegre, nos últimos 15 anos, mais de 90% da população adolescente, entre 12 e 17 a nos, está experimentando e consumindo bebidas alcoólicas. Para o especialista, isso pode gerar nos próximos anos “uma nova epidemia de dependência química”. Como forma de inibir a indústria do álcool, Ramos sugeriu que as principais metas a serem adotadas pelos governos é afetar o mercado do segmento, o nível e os padrões de consumo e atacar a ocorrência de problemas relacionados ao álcool.