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Quando a estatística salva vidas

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Por Antônio Padilha

O Atlas da Violência 2026 trouxe à luz um tema que merece atenção: o crescimento dos “homicídios ocultos” no Brasil. São mortes violentas que, por falhas de classificação, investigação ou integração de dados, não aparecem nas estatísticas oficiais como homicídios. O resultado é grave. Quando o poder público não enxerga o problema, perde a capacidade de enfrentá-lo.

No Rio Grande do Sul, esse é um desafio que deixamos para trás. Enquanto o Atlas alerta o país para a necessidade de qualificar informações sobre mortes violentas, o Estado construiu, nos últimos anos, uma estratégia que praticamente elimina esse tipo de distorção.

Desde 2019, o RS Seguro adotou uma premissa simples: para proteger vidas, é preciso conhecer a realidade e o problema com precisão. Por isso, definimos o monitoramento dos Crimes Violentos Letais Intencionais como ação estratégica. Mais do que contabilizar ocorrências, passamos a acompanhar cada caso de forma rigorosa, cruzando informações, verificando inconsistências e promovendo a integração de quem compõe o Sistema de Justiça Criminal.

Essa estratégia foi impulsionada com o premiado Sistema de Gestão Estatística em Segurança Pública (GESeg), desenvolvido pelo RS Seguro e pela Procergs, que identifica automaticamente divergências nos registros. Uma vez detectada, qualquer inconsistência é analisada pelas equipes técnicas e, se necessário, corrigida pela autoridade responsável. O trabalho foi ampliado com a cooperação entre Saúde, Polícia Civil e Instituto-Geral de Perícias, reduzindo ainda mais as possibilidades de subnotificação ou classificação inadequada. Os resultados são concretos. Em 2024, o RS teve a terceira menor taxa de homicídios ocultos do Brasil: apenas 0,7 caso para cada 100 mil habitantes.

Com dados confiáveis, o governo consegue direcionar melhor os recursos públicos, orientar ações policiais e aperfeiçoar políticas de prevenção. É também por isso que hoje o Estado registra os menores índices de homicídios de sua história. Não existe segurança pública eficiente sem informação de qualidade, traduzindo números e estatísticas em algo muito mais importante: vidas preservadas.

Secretário-Executivo do Programa RS Seguro

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