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Recuperação e fortalecimento de saberes são defendidos em seminários sobre Agroecologia

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Na tarde desta quarta-feira (22), durante a realização do 8º Seminário Estadual e 7º Seminário Internacional sobre Agroecologia, no auditório Dante Barone, na Assembléia Legislativa, em Porto Alegre, foram apresentadas experiências sobre educação e a relação entre comunidades rurais e urbanas. Nesta quinta-feira (23), último dia do evento, destaque para a participação de Juan Díaz Bordenave (Comissão de Verdade e Justiça do Paraguai), do Egydio Schwade (Casa de Cultura do Urubuí, Amazonas) e de Marcos Terena (Comitê Intertribal, de Brasília), além do sociólogo e teólogo Leonardo Boff, que à tarde fará a palestra de encerramento. A acadêmica de biologia da Universidade da Região da Campanha e bolsista da Embrapa Pecuária Sul, Aline Caldeira da Costa, falou sobre o projeto Formação de rede de referência sobre produção agroecológica no âmbito da agropecuária familiar na Região Sul do Rio Grande do Sul, projeto desenvolvido pela Embrapa, com apoio da Emater/RS-Ascar. O projeto foi a experiência prática selecionada para apresentação nos Seminários e é de autoria do médico veterinário e doutor em Agroecologia, Marcos Borba, da Embrapa. Segundo Aline, os objetivos do trabalho são promover o fortalecimento da agropecuária familiar de base agroecológica na Região Sul do Estado, fomentar a organização dos grupos de agropecuaristas familiares, capacitando-os como membros da rede para o uso sustentável dos recursos naturais disponíveis localmente. Também visa a organização dos produtores para a participação coletiva nos mercados locais e regionais com agregação de valores aos produtos e maior controle sobre processos de transformação. A prática do projeto promove a preservação dos recursos, o manejo da diversidade ao invés do controle, o empoderamento dos agricultores familiares, o intercâmbio entre técnicos e agricultores e a oferta de produtos de qualidade. Esse trabalho vem a mudar o processo padrão, onde o agricultor vende o produto para a agroindústria, que repassa para o atacado, que repassa para o varejo, e só então chega ao consumidor. Através dessa rede, o agricultor que ficava com a menor parte do lucro, pode agora vender seu produto direto para o consumidor, aumentando sua margem de lucro, analisou Aline. O projeto que será finalizado em maio de 2007 contempla agricultores familiares, assentados e quilombolas. Foram desenvolvidas ações como o melhoramento do solo, plantio direto, capacitação em plantas medicinais, construção de hortas familiares e escolares visando a soberania alimentar. Aline destaca como resultados obtidos através da implantação desse projeto, o avanço na formação em agroecologia, através de discussões teóricas e aplicações práticas, o avanço para a soberania alimentar por meio da produção para o autoconsumo, a substituição de práticas de manejo e insumos por práticas sustentáveis. Ecopedagogia O professor da UFR-PE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), Jorge Roberto Tavares de Lima, destacou os Seminários sobre Agroecologia como referências significativas na produção do conhecimento. Em sua palestra Princípios, possibilidades e desafios para uma formação agroecológica ele relatou a experiência de um projeto pedagógico do EJA (Educação de jovens e adultos) desenvolvido na Zona da Mata, em Pernambuco, em um assentamento onde vivem 135 famílias. Entre os objetivos do projeto, Lima destacou a promoção da vida, e de outras formas de sociedade e de escola, além de estabelecer um reencontro do homem com a natureza, e gerar um conhecimento coletivo. Segundo ele, o projeto é um estímulo à biodiversidade, fortalece a autonomia da família com a produção de mudas e beneficia a produção, já que a comercialização é feita diretamente ao consumidor. com questionou o desenvolvimento da agricultura. No México, 98% da produção é agroecológica. A informação é de María de Jesus Bernardo Hernández, da Iteso, ao analisar o processo de desequilíbrio energético de seus país, que gera uma sociedade insustentável. Na região rural mexicana, 68% dos campesinos são pobres, não tendo nem o que comer, analisou a palestrante. Como alternativa, María apresentou a proposta teórico-pedagógica de formação agroecológica, intitulada Rasa. O projeto iniciou em 1999, por necessidade de 515 grupos de campesinos (cerca de 2 mil pessoas) de aprender a desenvolver as práticas agroecológicas de produção. Hoje, através da chamada Ecopedagogia, abordamos a formação, o comércio justo e a vinculação, inclusive aglutinando 20 grupos de organizações mexicanas, observa María, ao defender o contato com campesinos e indígenas, cujas avós ensinam com seu exemplo. Para isso, explica María, o primeiro passo é a conscientização de que queremos desenvolver a Agroecologia. Depois, precisamos trabalhar a formação da base temática e, em seguida, sua experimentação. O próximo passo do processo educativo desenvolvido pela Rasa é a geração de novos conhecimentos e, assim, atingimos a formação, recuperando o conhecimento campesino agroecológico, que é a essência, a base da agricultura no México, finalizou. Na palestra A integração comunidades rurais e urbanas como uma ferramenta para a formação agroecológica, o engenheiro agrônomo, doutor em meio ambiente e presidente da ACOPA (Associação dos Consumidores de Produtos Orgânicos do Paraná ), Moacir Roberto Darolt, apresentou algumas estratégias da Associação no que diz respeito à construção de novas relações entre agricultores e consumidores para formação agroecológica. Um dos entraves destacados por Darolt para o consumo de alimentos produzidos de forma agroecológica ainda é a falta de informação sobre o processo de produção. Fundada em 2000, a ACOPA tem como objetivo aproximar consumidores e produtores orgânicos, divulgar hábitos saudáveis de alimentação e consumo responsável. O trabalho de organização dos consumidores é voluntário e realizado nos locais de vendas de produtos orgânicos, com destaque para as feiras livres. Atualmente, cerca de 500 pessoas participam do grupo que busca cultivar consumidores na busca de formas mais saudáveis de relacionamento entre o homem e a natureza. Segundo Darolt, uma das técnicas utilizadas para essa aproximação é a visita de grupos de pessoas às propriedades rurais agroecológicas, sendo uma das atividades desenvolvidas o colha-e-pague. É uma maneira de valorizar a produção local, finalizou.
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