Secretaria da Cultura recebe doação da Copelmi para acervo do Museu do Carvão
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A Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) e a Copelmi Mineração Ltda. assinaram termo para doação de R$ 152 mil e também de documentos do antigo Consórcio Administrador de Empresas de Mineração (Cadem) ao Museu do Carvão do Rio Grande do Sul. A solenidade foi realizada na manhã dessa quarta-feira (13), no gabinete do secretário Assis Brasil, com a participação do diretor-superintendente da Copelmi, Carlos Weinschenck de Faria.
Os diretores do Departamento Artístico e Cultural da Sedac e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (Iphae) negociaram com a empresa o financiamento para a aquisição de mobiliário e equipamentos, além da contratação de mão de obra especializada para organizar a massa documental e torná-la disponível para pesquisas.
O projeto visa higienizar, identificar e acondicionar os conjuntos de documentos a serem recolhidos ao Arquivo Histórico do Museu Estadual do Carvão, em Arroio dos Ratos/RS. Também serão adquiridas estruturas específicas para o armazenamento de documentos, que serão instaladas junto ao prédio principal do museu, para promover as condições de se elaborar projetos de pesquisa e atividades acadêmicas relacionadas à mineração carbonífera na região.
Assis Brasil agradeceu o apoio e a parceria da Copelmi e lembrou que o ato significa a preservação da memória da mineração no Rio Grande do Sul. A mineração tem uma história quase épica em nosso país, e a Copelmi tem uma representação expressiva nesta história. Vamos, também, preservar a memória cultural em seus diversos aspectos, econômico, cultural e sociológico, e poderemos reconstituir diversos períodos.
O secretário da Cultura manifestou, ainda, o reconhecimento do Governo do Estado, por meio da Sedac, à Copelmi. Uma empresa que é capaz destas realizações significa uma empresa moderna e relevante na economia atual. E vamos logo disponibilizar este riquíssimo material aos pesquisadores em geral, encerrou.
Carlos de Faria lembrou que a Copelmi está no Rio Grande do Sul desde 1980. Isto para nós é uma vida. Esses documentos estavam perdidos dentro de um container até surgir esta oportunidade de parceria com o museu. O diretor-superintendente da empresa disse também que a revitalização do Museu do Carvão possibilita que a comunidade possa resgatar e conhecer a história da mineração na região e no Estado.
O diretor Artístico e Cultural da Sedac, Manoel Henrique Paulo, ressaltou a parceria e os encontros produtivos realizados com a Copelmi que possibilitam que o Museu do Carvão volte a ocupar o cenário cultural do Estado. Importante salientar que a Casa Amarela, a segunda parte da obra de restauro, está praticamente pronta. A nossa intenção é inaugurar em conjunto a Casa Amarela, que será a administração do museu, e a Casa Branca já com os equipamentos doados pela Copelmi e a documentação em fase de higienização e catalogação, disse Manoel.
Também participaram do ato o procurador da Copelmi, Luis Roberto Lutkmeier, a diretora do Iphae, Miriam Sartori, o diretor do Museu do Carvão, Alexsandro Witkowski, e o coordenador do Sistema Estadual de Museus, Joel Santana.
Restauro e doação
Em janeiro de 2012, a Sedac inaugurou a Casa Branca, um dos prédios do Museu Estadual do Carvão que sediará o Arquivo Histórico da Mineração. A obra foi financiada pela Copelmi, que doou, na época, cerca de 150 metros lineares de documentos do antigo Cadem. O acervo é composto por documentos administrativos e sindicais, jornais, fotografias, plantas, livros, entre outros. É considerado o maior banco de dados já descoberto sobre as minas de carvão do Rio Grande do Sul, com valor histórico é incalculável.
A documentação é originária das atividades dos antigos consórcios mineradores, que durante décadas foram os responsáveis pelo suprimento de carvão para as usinas de energia no Estado, garantindo assim o abastecimento de eletricidade para várias localidades, entre as quais a cidade de Porto Alegre. Essa atividade teve importância estratégica durante os primeiros anos do século passado, até que a mudança da matriz energética para as hidrelétricas fez com que fosse abandonada.
O conjunto é formado por documentos oficiais (ofícios, memorandos), por notas fiscais de compras diversas, mapas e plantas das minas, e também por registros diversos dos trabalhadores envolvidos na atividade. A documentação, que estava em vias de ser destruída, foi recolhida pela própria comunidade, que lutou durante anos por sua preservação.
A mineração
Atualmente, com a retomada da mineração carbonífera, para uso nas usinas termelétricas que compõem o sistema energético do país, é de extrema relevância qualificar este acervo histórico para viabilizar a análise histórica do desenvolvimento dessa atividade econômica.
Com esse projeto, a Sedac, através do patrocínio da Copelmi, vai permitir ampliar o campo de estudo da atividade carbonífera, mostrando a relevância que teve no passado, e o potencial que está latente para o futuro energético do nosso Estado. Também contribui para que se possa compreender melhor um período em que uma atividade econômica, decisiva para o desenvolvimento da sociedade gaúcha, manteve-se distante do conhecimento daqueles que eram diretamente beneficiados por todos os que deram seu esforço para iluminar o Rio Grande.
Texto: Maria Emilia Portella
Edição: Redação Secom (51) 3210.4305