Artigo - CDES-RS: um Conselho cidadão
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Hoje será instalado no Rio Grande do Sul o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, representando os mais diversos segmentos da sociedade gaúcha. São 90 conselheiras e conselheiros compondo um ambiente plural de reflexão, reconhecimento de diferenças, mediação e busca de convergências para a constituição de estratégias que combinem crescimento econômico ambientalmente sustentável, com equidade social, alicerçados no fortalecimento da democracia.
O Rio Grande do Sul é conhecido nacional e internacionalmente pela força de suas posições políticas, sua consciência democrática, seu dinamismo econômico e social. Características que nos orgulham e desempenham importante papel na história do Brasil e na formação da identidade gaúcha. Sem perdermos nossas identidades políticas e ideológicas, o convite para um processo de amplo debate exige de nós a capacidade de assumirmos novos papéis, aproveitando experiências, mas relacionando-as com a sociedade da informação e das novas economias. Exige pensar um Estado indutor, que planeja estrategicamente os setores produtivos e a promoção do conhecimento, combatendo a miséria e a exclusão.
Há importantes temas para a população que vão muito além de governos, de partidos, de movimentos, de abordagens científicas, de interesses setoriais que necessitam ser tratados com o mais legítimo interesse público. Devem ser objeto de um processo de debates entre parceiros estratégicos que nem sempre estarão de acordo ou caminharão juntos, mas deverão afirmar sua vocação para construir convergências que apontem um futuro de justiça e fraternidade.
Há oito anos, o ex-presidente Lula e o então ministro Tarso Genro instalaram o CDES Nacional. Os que acompanharam de perto o trabalho sabem que, neste ambiente, foram traçadas as diretrizes do Plano de Aceleração do Crescimento, do Plano de Desenvolvimento da Educação, as medidas adotadas para superar a crise econômica de 2008, entre várias outras iniciativas que abasteceram o governo da opinião plural dos conselheiros, orientando boa parte das políticas adotadas pelo governo.
Na última reunião como presidente do Conselho Nacional, em dezembro de 2010, o ex-presidente Lula resumiu a compreensão deste novo instrumento democrático. Comentou que, no início, os conselheiros viam-se como representantes de segmentos para, ao final, reconhecerem-se como cidadãos a serviço do Brasil. É o que desejamos para nosso Conselho gaúcho.
Marcelo Danéris
Secretário executivo do CDES-RS