Brizoletas foram projeto audacioso que revolucionou a expansão escolar pelo Rio Grande do Sul
Nova reportagem da série resgata a trajetória das edificações que marcaram a ampliação do ensino primário
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Em 1959, o ex-secretário de Obras Públicas Leonel Brizola assumiu o governo do Estado. Tendo a educação como bandeira, implantou um programa que pretendia espalhar escolas pelo Rio Grande do Sul para enfrentar o analfabetismo dominante na época. Para isso, criaram-se os modelos de escolas que estão entre os mais conhecidos do RS: as brizoletas.
Até 1963, construções simples e, na maioria das vezes, pequenas foram erguidas até em áreas rurais isoladas. O estilo austero tinha como objetivo constituir um modelo de fácil construção e reprodução, buscando ampliar rapidamente o acesso à educação por todo o Rio Grande do Sul.
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Um dos principais modelos das brizoletas era uma pequena edificação em madeira, com muxarabis (tipo de treliça de origem árabe) na fachada. No entanto, havia diferentes tipos de prédios, que podiam ter uma ou duas salas.
Em 1961, por exemplo, o Jornal do Dia, de Porto Alegre, noticiou que no ano anterior foram construídas 170 escolas do projeto “A”, que atendiam a até 120 alunos, além de outras tantas do “B”.
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Os modelos podiam ser construídos em madeira ou em concreto e alvenaria. Algumas vezes, as edificações eram mistas. Dependia da disponibilidade de material e de mão de obra em cada local. Todas tinham, porém, um formato pavilhonar. A localização, seja urbana ou rural, dependia da necessidade notada em cada município que fazia a solicitação.
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Meta era construir 2 mil escolas
O programa ficou conhecido como “Nenhuma criança sem escola”. Oficialmente, o nome era “Plano Emergencial de Expansão Descentralizada do Ensino Primário”, ou, como inicialmente foi chamado, “Plano das 2 mil”, com meta de construir 2 mil escolas em dois anos.
Para erguer as brizoletas, foram criados o Serviço de Expansão Descentralizada do Ensino Primário (Sedep), que gerenciava a política pública, e a Comissão Estadual de Prédios Escolares (Cepe), sob coordenação da Secretaria de Obras Públicas (SOP) e da então Secretaria da Educação e Cultura, responsável pela execução das obras.
À frente da SOP no início do programa, o secretário Mario Maestri explicou, em entrevista ao jornal Pioneiro, de Caxias do Sul, em 1959, as revitalizações. “A primeira etapa foi iniciar a reparação de todos os prédios escolares do Estado, dentro do lema de que ‘o prédio escolar deve ser o melhor prédio público da localidade’ não no luxo, mas no que se refere às condições de higiene e aparelhamento”.
Até 1961, 147 municípios solicitaram a construção de mais de 4 mil escolas. O Jornal do Dia, de Porto Alegre, informou que em 1960 foram construídas 338 unidades e que, no ano seguinte, se esperava um número ainda maior, podendo chegar a 430. Os números de quantas escolas teriam sido realmente construídas variam entre diferentes fontes: cerca de mil, mais de 2 mil ou quase 3 mil, conforme os números divulgados pelo então governador.
A partir dos anos 1990, as brizoletas começaram a ser desativadas com o fim do ensino multisseriado e a degradação de alguns dos prédios. Algumas escolas, porém, ainda podem ser encontradas atualmente. Em Porto Alegre, por exemplo, elas ainda são utilizadas como salas de aula na Escola Estadual de Educação Básica Dolores Alcaraz Caldas.
Texto: Ariel Engster/Ascom SOP
Edição: Secom