Casas Familiares Rurais apresentam novas perspectivas a jovens do campo
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O 4º Seminário Estadual das Casas Familiares Rurais, realizado em Santo Antônio das Missões, durante os dias 21 e 22, apresentou alternativas de plantio aos produtores rurais da região. O gosto pelo trabalho na CFR incentivou Márcio Müller a promover o trabalho mesmo após sua formação. Agora, ele contribui no monitoramento de novos jovens inseridos na proposta da pedagogia da alternância.
Aos 26 anos, Márcio já defniu seus objetivos profissionais e projetos de vida: ser agricultor e investir na qualidade da produção na propriedade de sua família, no interior de Santo Cristo. A decisão foi tomada durante o período em que estudou na CFR de seu município. Quando comecei a me capacitar, estava em um momento de definição, em que pensava se queria ou não continuar na agricultura. Durante o tempo de formação, surgiu a certeza e percebi que valia a pena investir na sucessão.
Müller é um dos 185 jovens já formados em Casas Familiares do Rio Grande do Sul. Outros 155 estão em formação, distribuídos em seis casas que atendem a jovens de 48 municípios gaúchos. Ficamos uma semana na Casa Familiar e duas na propriedade aplicando o que aprendemos. A mudança acontece aos poucos, é preciso diálogo com a família e ver o que deve ser alterado para que a produção e a qualidade de vida melhorem.
Márcio também pretende implementar uma agroindústria de polvilho e melhorar em quantidade e qualidade a produção de leite e alimentos na propriedade de 20 hectares da família.
Produção e demanda
O diretor do Departamento de Agricultura Familiar da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural, Pesca e Cooperativismo (SDR), José Batista, afirma que há um contraste entre a crescente demanda de produção de alimentos e a baixa perspectiva de sucessão no meio rural. Um grande desafio são as milhares de propriedades rurais sem sucessão e, em contraponto, o mundo precisando cada vez mais de alimentos. Portanto, é primordial atender à necessidade de capacitação e formação de profissionais para a nova agricultura.
O vice-presidente da Associação Regional das Casas Familiares Rurais do Rio Grande do Sul (Arcafar-RS) defendeu a iniciativa. A CFR é a melhor forma de educação para o campo no mundo. Não existe melhor forma do que pensar na sucessão familiar. Se a sociedade precisa de alimentos, precisa valorizar o agricultor.
A gerente regional adjunta da Emater/RS-Ascar, na região de Santa Rosa, Neida Frohlich, destaca os problemas provocados pela saída precoce dos jovens para outras regiões. Estamos perdendo jovens para a área urbana e para a região metropolitana porque não discutimos sucessão familiar na infância e na adolescência. Deixamos isso para quando os agricultores já são idosos e não há mais tempo hábil para preparar a sucessão.
A gerente explica que há perspectivas interessantes em permanecer na agricultura para o jovem que se qualificar. Alimento está faltando e tudo o que for produzido com qualidade se transforma em renda e, consequentemente, em melhoria da qualidade de vida das famílias rurais.
Texto: Deise Froelich
Ediçã: Redação Secom (51) 3210-4305