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De novo, a segurança (*Olívio Dutra)

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Em sua edição de 8/08, o jornal Zero Hora voltou a abordar, em editorial, a questão da segurança pública, com o viés da crítica preconceituosa ao nosso governo. Enxerga divergências com nossos candidatos onde não há. Nos atribui a sandice de culpar a imprensa pelos problemas da segurança pública. Consideramos a questão da segurança um problema sério e construímos uma política responsável nesse sentido, com investimentos consideráveis, modernização das polícias militar e civil, treinamento e contratação de pessoal. A visão reducionista das causas sociais e econômicas da criminalidade não é nossa, embora reconheçamos a sua importância no sentido de que a deterioração do tecido social e o crescimento da miséria andam de mãos dadas com o crime. O que só é resolvido com políticas de desenvolvimento econômico, social e político. O fato é que nossos adversários, motivados por posições ideológicas, são apoiados pela abordagem dos veículos da RBS. Toda nossa política de integração da Brigada Militar e da Polícia Civil, necessária e fundamental para o combate à criminalidade, é vista como tentativa de destruição das polícias. Ora, essa abordagem reforça a defesa de uma estrutura de segurança pública arcaica, na qual prevalecem os interesses de corporações e, em não raras circunstâncias, pior do que isso. Essa abordagem é vendida para a população como resistência ao desmonte da Brigada Militar e da Polícia Civil. Um exemplo: a Zero Hora do dia 11 de julho estampa na contracapa, espaço nobre do jornal, foto de meia página com manifestantes contrários à transferência do comando cercando o prédio do QG da BM, com a seguinte legenda: Políticos, moradores do Centro e associações de classe de soldados, oficiais da BM discordam da decisão, suspensa por ordem judicial. A título de esclarecimento: não há decisão judicial suspendendo a transferência. Outro exemplo desse tipo de análise é o lamentável episódio entre a BM e bandidos, no qual morreram um capitão e um sargento. Nosso governo lamenta profundamente as perdas que não se limitam à corporação, mas fazem sofrer as famílias. Entretanto, é importante frisar que fatos como este podem ocorrer justamente quando se trata de um ativo combate à criminalidade, mesmo com colete à prova de bala, armamento e treinamento adequados. No entanto, o episódio é tratado no Jornal do Almoço do dia 7 de agosto com a seguinte afirmação: Ninguém tem segurança, nem mesmo os que fazem segurança. Finalmente, cabe a pergunta: onde está o maniqueísmo ideológico que o editorial tenta nos atribuir? Pensamos, ao contrário, que, se tal maniqueísmo existe, ele pertence aos nossos adversários, que em nenhum momento se dispuseram a dialogar pragmaticamente conosco projetos que têm como objetivo a construção de uma política de segurança adequada ao nosso tempo, na qual os comandos, as inteligências e a operação sejam integrados. E se tenha uma corregedoria única e independente das polícias, com carreira própria. Aliás, não há nada mais simples de entender-se que polícia não pode investigar polícia. Tivemos que retirar a urgência do projeto sobre esse assunto na Assembléia, senão ele seria derrotado. Essa é uma pauta com reconhecimento nacional, inclusive do Ministério da Justiça. Por falar nisso, o Rio Grande do Sul é um dos Estados menos violento no ranking do Ministério, o 23º, embora seja o 4º em população. (*Governador do Estado do Rio Grande do Sul)
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