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Desenvolvimento rural e sustentabilidade são abordados em palestras

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O passado e o futuro do desenvolvimento rural no Brasil e na América Latina e o manejo de agroecossistemas sustentáveis foram alguns dos temas abordados na tarde de terça-feira (18), no I Congresso Brasileiro de Agroecologia, IV Seminário Internacional e V Seminário Estadual sobre Agroecologia, que acontece na PUCRS até sexta-feira (21). Refletindo sobre o desenvolvimento rural, o professor da Universidade da República, do Uruguai, Miguel Vassalo, destacou que para que exista desenvolvimento rural, não basta haver crescimento econômico. Desenvolvimento representa o empoderamento de todos os setores sociais, através da interligação entre social e econômico, afirmou. Para alcançar o desenvolvimento rural, Vassalo disse que é necessário superar as perspectivas reducionistas, preocupar-se com os recursos naturais, com as ações construídas pelos homens, pelo capital humano e social. Não é possível pensar em desenvolvimento sem pensar todos esses setores integrados, afirmou Vassalo. O enriquecimento da cultura, dos processos educativos formais e informais e o fortalecimento das redes de cooperação foram destacados como primordiais para o avanço do desenvolvimento. Outro tema debatido foi o manejo de agroecossistemas sustentáveis. O doutor em entomologia da Universidade de São Paulo, José Roberto Postalli Parra, falou sobre o controle biológico e manejo integrado de pragas. Segundo ele, esse sistema de combate de pragas não é recente. Desde o século III a.c. já se controlava pragas em citros utilizando-se formigas. Mas o ano de 1888 é marco do controle biológico no mundo, com o combate do pulgão branco através da utilização da joaninha. No Brasil, foi em 1921 que começou a se realizar o controle biológico das pragas. De 1940 a 1960, porém, Parra considera como o período negro do controle biológico, com o avanço da produção e utilização indiscriminada de agroquímicos. A partir dos anos 60, uma nova consciência ambiental prolifera-se na sociedade e ressurge a importância do controle biológico. O palestrante acredita em um controle biológico inundativo, ou seja, com produção, conservação e multiplicação de agentes controladores em laboratório. Para o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Fábio Dal Soglio, o avanço da agricultura agroecológica não significa somente a substituição dos insumos. Agroecologia não é sinônimo de agricultura orgânica, destacou Dal Soglio. Segundo ele, muitos sistemas de controle biológico podem ser tão danosos quanto o controle com veneno. Agrocologia não é só eliminar veneno. É propor soluções que tornam a produção sustentável, disse. Sustentabilidade, para o palestrante garante a sobrevivência das futuras gerações. Para a viabilidade desse projeto, é preciso seguir os caminhos da interdisciplinaridade, realizar pesquisas participativas e desenvolver tecnologias adequadas as realidades locais. Programação de amanhã Na quarta-feira (19), às 8h, o professor da Universidade Federal do Pará, Iran Veiga, profere a palestra Diversidade sociocultural e desenvolvimento sustentável na Amazônia oriental. Em seguida, às 8h40, ocorre a palestra A convivência com o biochip, com a professora da PUC do Rio de Janeiro, Ana Branco. Às 10h20, a professora da Universidade Politécnica Salesiana, do Equador, Elisabeth Bravo, realiza a palestra Ajuda alimentar e transgênicos: uma ameaça à soberania alimentar. O encerramento das atividades da manhã será às 11h, com a palestra Preservação e sementes crioulas de milho: intercâmbio e tradição de Ibarama/RS, com o extensionista da Emater/RS, Giovane Ronaldo Rigon Vielmo e o agricultor Leonel Kluge. À tarde, às 14h, prosseguem as atividades do Congresso. No auditório 1, o professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, José Augusto Pádua, fala sobre Sociedade, políticas públicas e sustentabilidade. No auditório 2, o professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Renato Sérgio Maluf, faz a palestra A multifuncionalidade da agricultura familiar no Brasil. No auditório 3, ocorre a palestra Domesticação de recursos naturais nativos em condições agroecológicas no trópico úmido, com o consultor da Costa Rica, Rafael Sánchez. No auditório 4, o professor da Universidade Federal de Pelotas, Hélvio Debli Casalinho, profere a palestra Avaliação da qualidade do solo como indicador de sustentabilidade em agroecossistemas: um processo participativo.
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