Governo do Estado do Rio Grande do Sul
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Discurso do Governador Germano Rigotto - Instalação do Governo em Tenente Portela 29/09/2003

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Interiorizar o governo não é uma deferência do governante. Ao contrário. A interiorização se impõe como exigência do bom governo, condição indispensável para manter permanente contato com a realidade. A experiência na vida pública me ensinou algumas regras fundamentais. Quanto mais o governante se fecha no seu gabinete, tanto menos vê; quanto menos vê, menos percebe a realidade. Não existe prospeção melhor do que aquela que a gente mesmo faz, indo até onde o cidadão vive, trabalha, planeja, opera ou espera. É ali, onde o cidadão mora, que também mora a realidade social, política, administrativa e econômica do Estado. E não adianta chegar de costas e sair de lado. É preciso permanecer, dar-se o tempo necessário para ver e ouvir. Não me canso de repetir: governar é um exercício cotidiano de contato com a realidade e com as pessoas que a fazem. Os constituintes de 1988 foram muito sábios ao afirmar que a Federação é formada pela união de Estados e Municípios. Os municípios são e devem ser parte da Federação. Parte integrada e integrante, parte ativa, efetiva, e, pelo que me diz respeito, parte afetiva nas minhas relações como governador. Todo zelo e carinho aos municípios porque eles são as parcelas de que se compõe o todo do Estado. E o todo não pode ser diferente, melhor, ou pior, do que suas parcelas forem. Governar o Rio Grande é governar para seus municípios, é compreender suas realidades e com elas interagir. *** É o que estamos fazendo aqui na nossa Tenente Portela, prefeito Neivaldo Antoniollo, pedindo licença para pisar este solo de tanta história e tradição, onde as águas do Rio Uruguai se encontram com as populações nativas e onde os oriundos das velhas colônias se empenham em construir um bom lugar de se viver. Significativo o fato de que as raízes da ocupação permanente desta área tenham sido lançadas por fugitivos da Revolução Federalista de 1893, durante a qual se digladiaram no nosso Estado as forças que sustentavam o governo de Floriano Peixoto e aquelas que pretendiam o retorno à ordem constitucional rompida pelo fechamento do Congresso. Tempo de enorme violência, aquele da Revolução Federalista. Tempo dos pescoços a perigo diante das degolas, e tempo durante o qual, então, fluíram para estas terras, inóspitas à época, muitos fugitivos da luta fratricida. Iniciava-se, assim, o tardio povoamento desta importante parcela de nosso estado. Faltavam estradas, faltava apoio oficial, faltava a presença ativa do poder público distante, representado durante longo tempo pela Inspetoria de Terras. Tempos difíceis, que foram sendo superados pela organização interna e pela capacidade de trabalho. Pois esse modo, segundo o qual se fez, com particularidades locais muito específicas, a ocupação de nosso estado, criou problemas com os quais convivemos ainda hoje em várias de suas regiões. A região metropolitana e seu entorno, mais perto dos olhos dos governantes, concentrou investimentos, atraiu indústrias, gerando um ritmo de progresso mais acelarado. Os pontos de ocupação mais tardia, mais distantes, pagam o preço caro dos desequilíbrios regionais que não me canso de apontar e combater. Tal combate é determinação do nosso governo. E a superação dos desequilíbrios regionais é política do governo. Se venho ao Alto Uruguai, se estou aqui na nossa Tenente Portela, vereador Afonso Júnior Engler, presidente do nosso legislativo municipal, é para isso que venho e é para isso que estou. Não me conformo com tais desequilíbrios na distribuição da renda interna e dos investimentos públicos. Em nosso governo, senhores deputados estaduais e federais aqui presentes, não haverá porção da terra gaúcha longe de nossos olhos e de nosso coração. *** Estamos aqui para trabalhar. É o governo que se faz presente, e o faz em missão de trabalho. Nossos secretários estarão despachando assuntos específicos de suas pastas, com agendas autônomas, assistidos por seus principais assessores. Tenho certeza que será um dia muito produtivo para a região e para o governo. Queremos ouvir os prefeitos, os vereadores, o COREDE, as entidades sociais e comunitárias, empresários e trabalhadores, lideranças indígenas, a imprensa e a todos os que aqui estão. Queremos a parceria das nossas universidades, essas respeitáveis instituições de ensino, cujos avanços temos observado com satisfação e com as quais vimos mantendo estreito contato e várias ações em comum. Queremos, enfim, ter a perfeita noção dos problemas para, com dados firmados na realidade, respondermos aos anseios da região. *** Todos os quatro eixos de ação que definimos como prioritários em nosso governo têm relação direta com o projeto de interiorização. Para que possamos atrair investimentos e gerar desenvolvimento econômico - o primeiro eixo - precisamos conhecer as demandas e potencialidades de cada região. Para que combatamos as desigualdades regionais - o segundo eixo - temos que organizar as cadeias produtivas e valorizar as matrizes locais. Para que tenhamos inclusão social - nosso terceiro eixo - é necessário que a geração de riqueza venha acompanhada de uma resposta do governo às populações mais carentes. Interiorizar o governo, por fim, tem tudo a ver também com nosso quarto eixo de ação: um novo modelo de gestão pública. Em si mesmo, ele explica o sentido desse encontro, qual seja o de produzir um modelo de governo e de administração pública moderno, eficaz, eficiente, mais próximo das pessoas, menos burocratizado e menos atrasado. Queremos diminuir o tempo entre a idéia e a ação, porque sabemos que, num mundo que anda depressa, isso é condição para que qualquer governo alcance seus objetivos. *** O tenente Mário Portela Fagundes, companheiro de farda do coronel Osvaldo Cordeiro de Farias, tombou aqui, junto ao Rio Uruguai, numa das raríssimas escaramuças da Coluna Prestes. Por essa condição, foi escolhido pelo coronel, anos mais tarde, para dar nome à nossa Tenente Portela. Penso que seja um fato a salientar. Primeiro, porque registra um episódio importante de nossa História: o empenho dos tenentes em modernizar as instituições políticas nacionais, abrindo espaço para a Revolução de 1930. Depois, porque a longa marcha da Coluna Prestes foi um sinal de contradição. E, de certo modo, estas nossas marchas pelo Rio Grande também o são. Viajamos em paz, a serviço da modernização do Estado, do progresso, da justiça social, da superação dos desequilíbrios, infatigáveis em nosso esforço de bem servir a todos os rio-grandenses, contradizendo os pessimistas e soltando as amarras que detém o progresso social e econômico que buscamos. Muito obrigado e um bom dia de trabalho a todos!
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