Estado apresenta painel com dados quantitativos sobre homens presos por histórico de violência doméstica
Projeto Sobre Eles busca produzir informações qualificadas capazes de subsidiar políticas públicas
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Representantes do Estado apresentaram, nesta sexta-feira (27/3), o Painel de Bussines Intelligence (BI) Sobre Eles no RS Innovation Stage, palco do South Summit Brasil (SSB) 2026. A iniciativa foi desenvolvida pelo Observatório do Sistema Prisional da Assessoria Técnica da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS).
A apresentação no evento, que é correalizado pelo governo do Estado, foi feita pelo titular da SSPS, Jorge Pozzobom; pela analista arquivista de Políticas Públicas e Gestão Governamental Monique, Lucero Crespani; pela analista psicóloga da Polícia Penal e servidora da SSPS, Débora Ferreira; e pela docente Joice Nielsson, da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul (Unijuí). Joice está realizando pesquisa sobre o tema em parceria com a secretaria.
A ferramenta busca subsidiar com dados quantitativos a pesquisa “Sobre Eles – Perfil, diagnóstico e propostas de intervenção: painel de acompanhamento de autores de violência doméstica contra a mulher no sistema prisional do Rio Grande do Sul”, elaborada em parceria entre SSPS (sob coordenação do Departamento de Políticas Penais) e Unijuí. O BI é público e seus dados estarão disponíveis nos próximos dias no site da SSPS.
Diagnóstico e recomendações
O projeto propõe a criação de um painel diagnóstico e de recomendações de intervenções para homens encarcerados por crimes de violência doméstica e de gênero no sistema prisional gaúcho. O plano visa levantar, sistematizar e analisar dados sobre perfis, trajetórias e comportamentos desses agressores, com foco na compreensão dos fatores estruturais, sociais e individuais que permeiam essas condutas.
Tendo como base de referência os dados de 20 de março de 2026, dos 51.022 homens privados de liberdade, 6.554 possuíam registro de crimes contra as mulheres. Pozzobom frisou que, no sistema prisional, a violência doméstica está sendo tratada com seriedade.
“O cenário de violência contra a mulher no Estado reforça a necessidade de avançarmos com políticas públicas que promovam reflexão, educação e mudança de comportamento. Além da pesquisa que busca traçar o perfil do agressor, estamos promovendo grupos reflexivos e colocando homens presos em atividades ligadas ao tema”, garantiu o secretário.
Ideia do projeto
O Sobre Eles surgiu como uma iniciativa voltada ao fortalecimento da governança institucional, com o objetivo de produzir dados qualificados e informações confiáveis capazes de subsidiar a formulação, a avaliação e o aprimoramento de políticas públicas. A ideia ganhou ainda mais relevância após o feriado de Páscoa de 2025, quando foram registrados dez feminicídios no Estado, cenário que evidenciou a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre os fatores associados à violência de gênero e orientar estratégias mais eficazes de prevenção.
“A proposta foi aproximar a academia e o poder público na construção de políticas públicas mais assertivas, fundamentadas em dados confiáveis para o enfrentamento do feminicídio. Nesse contexto, desenvolvemos uma pesquisa que reúne tanto dados quantitativos quanto qualitativos sobre o perfil do agressor, reconhecendo que se trata de um tema que precisa ser aprofundado para que possamos, de forma efetiva, reverter os índices de violência contra as mulheres no Estado”, explicou Débora.
Sobre a pesquisa
A pesquisa “Sobre Eles” é um estudo inédito no Brasil. Começou a ser desenvolvida dentro de unidades prisionais da 3ª Região Penitenciária e, após ser contemplado em edital da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), recebeu financiamento para ser expandida para todo o território gaúcho.
Os dados quantitativos do estudo são amparados pelo BI Sobre Eles. No âmbito qualitativo, a base são entrevistas via questionários semiestruturados com homens recolhidos por crimes de violência doméstica nas unidades prisionais das dez regiões penitenciárias do Estado.
“É importante salientar que os dados são de homens presos com histórico de violência contra a mulher, mas que não necessariamente estão privados de liberdade por esse motivo”, explicou Monique.
Joice destacou que os dados preliminares foram construídos a partir de entrevistas com 80 homens em quatro regiões penitenciárias. “Notamos que há muitos filhos envolvidos nessa dinâmica de violência. Percebemos também, e de maneira muito forte, estereótipos de gênero e discursos de superioridade por parte desses homens”, contou.
Texto: Paula Sória Quedi/Ascom SSPS
Edição: Felipe Borges/Secom