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Estado inaugura ampliação do espaço de trabalho prisional e qualificação da área administrativa do Presídio Feminino de Lajeado

Ação integra o Programa Mãos que Reconstroem, com potencial de contratação de até 50% da população custodiada do presídio

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Visita em área de trabalho, com pessoas reunidas ao redor de máquinas e bancadas. O espaço possui equipamentos de produção, caixas organizadoras, extintor de incêndio fixado na parede e iluminação branca uniforme.
Programa Mãos que Reconstroem é uma política que articula qualificação profissional, atividade produtiva e remição de pena - Foto: Arthur Plácido/Ascom SSPS

O governo do Estado, por intermédio da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) e da Polícia Penal, inaugurou, nesta quarta-feira (1/4), a ampliação do pavilhão de trabalho prisional e a requalificação da área administrativa do Presídio Estadual Feminino de Lajeado (PEFL), situado no Vale do Taquari. A iniciativa consolida o avanço das políticas estatais voltadas à ressocialização por meio do trabalho, com potencial de contratação de até 50% da população custodiada em regime fechado na unidade. 

A intervenção estrutural ampliou a capacidade de inserção laboral das apenadas, elevando o número de vagas de 14 para 30 postos de trabalho. A ação integra o Programa Mãos que Reconstroem, política permanente e estruturante que articula qualificação profissional, atividade produtiva intramuros e remição de pena. Foram expandidas, sobretudo, as atividades voltadas à confecção de bolsas e calçados, desenvolvidas em parceria com a empresa Tomasi Calçados, terceirizada da Calçados Beira Rio.

Com área aproximada de 100 metros quadrados, o espaço passou por readequações físicas que possibilitaram a unificação de ambientes anteriormente fragmentados e destinados a outras finalidades. A nova configuração permitiu a instalação de maquinário completo da empresa, incluindo equipamentos de corte, costura e programação, esteira de produção, compressores de alta pressão para operação de prensas pneumáticas de soldagem e demais dispositivos utilizados na indústria calçadista.

O secretário de Sistemas Penal e Socioeducativo, Jorge Pozzobom, destacou que a inauguração é um passo consistente na qualificação do sistema penal e materializa um compromisso que orienta a atuação da SSPS. “Promovemos a ressocialização com base em oportunidades concretas, estruturadas e permanentes. Esta obra representa uma mudança de paradigma: investir em estrutura, habilitação e trabalho é investir em segurança pública. Quando oportunizamos caminhos legítimos de reconstrução de trajetórias, fortalecemos não apenas o sistema prisional, mas toda a sociedade”, reiterou.

A imagem mostra um ato simbólico de inauguração em ambiente interno, com uma fita vermelha sendo cortada próximo a uma escada. Um pequeno grupo acompanha o momento, em um espaço de paredes claras e iluminação artificial.
“Promovemos a ressocialização com base em oportunidades concretas, estruturadas e permanentes”, disse Pozzobom - Foto: Arthur Plácido/Ascom SSPS

Sobre a obra

As obras foram viabilizadas por investimento de R$ 400 mil, provenientes de editais das Varas de Execução Criminal de Lajeado, Estrela e Teutônia, evidenciando a integração entre o sistema de justiça e a administração penitenciária. A execução ficou sob responsabilidade da Construtora Rene P. Silva e Cia Ltda., que concluiu os serviços no prazo de seis meses.

A iniciativa contou, ainda, com a participação direta de apenados do Presídio Estadual de Lajeado, que atuaram na execução dos trabalhos por meio de mão de obra prisional vinculada a termo de cooperação firmado com o município, reforçando o caráter educativo e profissionalizante do labor no contexto da execução penal.

A solenidade de inauguração reuniu autoridades do Poder Executivo, representantes do sistema de justiça, integrantes da sociedade civil organizada, parceiros institucionais e veículos de comunicação da região.

Sala de produção equipada com máquinas de costura industriais e mesas de trabalho. Há pilhas de materiais organizados à esquerda, armários metálicos ao fundo, janelas altas com grades e piso cerâmico claro.
Espaço passou por readequações físicas que possibilitaram a unificação de ambientes anteriormente fragmentados - Foto: Arthur Plácido/Ascom SSPS

Parceria com o setor calçadista

No PEFL, desde 2023, encontra-se vigente um termo de cooperação firmado com a empresa de calçados. A iniciativa foi inicialmente implantada no presídio masculino e, posteriormente, expandida, de forma complementar, à unidade feminina.

Em âmbito estadual, a Calçados Beira Rio deu início à utilização de mão de obra prisional em 2023, com a participação de 15 apenados. Atualmente, a empresa emprega aproximadamente 400 pessoas privadas de liberdade (PPLs), distribuídas em oito estabelecimentos prisionais, atuando na manufatura de calçados e bolsas.

No momento, a empresa se prepara para uma ampliação no Presídio de Arroio do Meio, com o financiamento do maquinário necessário para o funcionamento das linhas de montagem e produção com mão de obra carcerária. 

Nova área administrativa

A requalificação da área administrativa proporcionará melhores condições de trabalho aos servidores, com previsão de atuação de oito profissionais no novo espaço – três analistas, três policiais penais e dois técnicos administrativos da Polícia Penal. A medida contribui diretamente para o aprimoramento da gestão e para a qualificação do atendimento institucional.

Sala de reuniões recém-estruturada, com mesa retangular de madeira, cadeiras pretas distribuídas ao redor e duas poltronas laterais.
Requalificação da área administrativa proporcionará melhores condições de trabalho aos servidores do presídio - Foto: Arthur Plácido/Ascom SSPS

Com área total de 110 metros quadrados, o espaço dispõe de dois sanitários e abriga as salas da direção, de segurança e disciplina, do setor técnico e do setor administrativo, além de arquivo e de ambiente multiuso destinado à realização de reuniões e atividades de capacitação dos servidores.

A coordenadora de Departamentos da Polícia Penal, Samantha Longo, ressaltou que a iniciativa reafirma o compromisso da instituição com uma gestão moderna, eficiente e, sobretudo, humanizada do sistema prisional. “A ampliação das parcerias com o setor produtivo, como a estabelecida com a empresa calçadista, representa uma estratégia concreta de promoção da dignidade e da reintegração social das PPLs, por meio do trabalho e da qualificação profissional. Da mesma forma, a requalificação da área administrativa traduz nosso zelo com as condições de trabalho dos servidores, que desempenham função essencial à segurança pública e à garantia de direitos no ambiente prisional. Ao investirmos em infraestrutura adequada e em organização institucional, fortalecemos não apenas a gestão, mas também a qualidade dos serviços prestados à sociedade.”

Capacitação e ressocialização

O modelo de cooperação entre o Estado e o setor privado tem se mostrado eficaz para a ressocialização das PPLs e para o fortalecimento do mercado de trabalho, que se beneficia com a formação de profissionais qualificados em setores com escassez de mão de obra. Por meio desses termos de cooperação, os apenados recebem até 75% do salário-mínimo nacional e direito à remição de um dia de pena a cada três trabalhados, conforme previsto na Lei de Execução Penal (LEP).

A representante do Departamento Técnico e de Tratamento Penal (DTTP), Fernanda Dias, afirmou que o número de empresas interessadas em aderir a programas de trabalho prisional tem crescido de forma significativa. “Cada vez mais entidades reconhecem o valor social e produtivo dessa iniciativa. Além de contribuir para a capacitação profissional dos apenados, o programa prepara essas pessoas para o retorno ao mercado formal de trabalho, fortalecendo vínculos familiares e comunitários. Ele devolve rotina, disciplina e propósito ao apenado, além de promover autonomia e protagonismo para uma nova vida em liberdade”, observou.

Expansão e repercussão da sociedade

Atualmente, o sistema prisional gaúcho conta com atividades laborais, remuneradas ou não, em todas as 113 unidades do Estado. Até fevereiro de 2026, quase 40% da população prisional de apenados em regime aberto, semiaberto ou fechado exerciam alguma modalidade de trabalho, totalizando 16,1 mil pessoas.

De acordo com o DTTP, 2.920 PPLs atuam por meio de termos de cooperação com empresas, instituições e órgãos públicos, abrangendo atividades de serviços gerais, limpeza, manutenção e construção civil. Cerca de 70 prefeituras mantêm parcerias ativas com o sistema prisional.

O incentivo ao trabalho prisional tem refletido em avanços expressivos desde 2019, quando havia 12.217 pessoas trabalhando, das quais 1.191 recebiam. Se comparados os dados com fevereiro de 2026, o aumento de remunerados foi de aproximadamente 145,17%.

Texto: Andréia Moreno/Ascom Polícia Penal
Edição: Secom

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