Governo do Estado apresenta avanços climáticos em agendas internacionais na Conferência de Bonn, na Alemanha
Missão internacional incluiu visita técnica à Noruega para intercâmbio em tecnologias de hidrogênio verde e transição energética
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O governo do Estado, por meio da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema), participa de uma série de agendas internacionais durante a Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU). O evento, iniciado nesta segunda-feira (8/6), na cidade de Bonn, na Alemanha, reúne lideranças globais para debater ações e estratégias de enfrentamento às mudanças climáticas. A participação do Rio Grande do Sul tem como foco apresentar avanços na agenda ambiental e reforçar o compromisso com a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Entre os destaques da programação ocorreu uma reunião com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), que contou com a presença da secretária Marjorie Kauffmann, e do líder da equipe de Clima e especialista sênior em recursos naturais da FAO, Martial Bernoux. Dando continuidade às agendas com a FAO de 2025, foram apresentados os Roteiros de Descarbonização de Cadeias Produtivas, lançados pelo governo do Estado durante a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em novembro passado, em Belém.
Marjorie destacou que a cooperação com organismos internacionais, como a FAO, fortalece a troca de conhecimento e a difusão de boas práticas, contribuindo para posicionar o Rio Grande do Sul como referência em agricultura de baixo carbono e ampliar as oportunidades de cooperação internacional. “O modelo apresentado evidencia uma trajetória integrada, que parte do produtor rural, passa pela articulação institucional, com entidades como a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), e se consolida por meio de políticas públicas e mecanismos de governança climática implementados pelo Estado, por meio de metodologias a estruturas científicas reconhecidas internacionalmente, posicionando o Rio Grande do Sul como referência global em agricultura de baixo carbono”, afirmou a secretária.
Elaborados em parceria com o setor produtivo, os roteiros de descarbonização analisam cinco cadeias estratégicas: soja, arroz, pecuária bovina de corte e leite, silvicultura e petroquímica e projetam cenários até 2050. As modelagens indicam que a cadeia da soja pode atingir a neutralidade de emissões até 2045, enquanto a pecuária e o arroz têm potencial de reduzir suas emissões em 72,8% e 76,1%, respectivamente.
Participação em painel da ONU
O governo do Estado também teve destaque na plenária de abertura da conferência. A titular da Sema representou os governos subnacionais nos processos da ONU sobre mudança do clima, levando a posição do Rio Grande do Sul, do Under2 Coalition e do Iclei (Governos Locais para Sustentabilidade). “Os avanços consolidados nas últimas conferências climáticas demonstram que os compromissos globais precisam ser traduzidos em ação concreta nos territórios. Para isso, é fundamental fortalecer a cooperação entre diferentes níveis de governo, ampliar o acesso ao financiamento climático e garantir a participação efetiva dos entes subnacionais na construção de soluções”, destacou Marjorie.
A participação ocorreu no âmbito dos Governos Locais e Autoridades Municipais (em inglês Local Governments and Municipal Authorities - LGMA), principal grupo que representa cidades, Estados e regiões nas negociações climáticas da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). As agendas em Bonn seguem na terça-feira (9/6), com reuniões e painéis.
Missão internacional na Noruega
Como parte da agenda internacional, a comitiva da Sema também cumpriu compromissos na Noruega, nos dias 5 e 6 de junho. Entre os destaques, esteve a visita técnica à planta de hidrogênio verde (H2V) da empresa Yara, em Porsgrunn, referência global na produção de insumos sustentáveis.
A agenda teve como objetivo promover a troca de experiências sobre tecnologias voltadas à produção de hidrogênio verde, além de fortalecer o diálogo sobre transição energética e soluções de baixo carbono. O complexo utiliza o processo de eletrólise da água para produção de hidrogênio, com capacidade aproximada de dez toneladas por dia e cerca de 20 mil toneladas anuais de amônia verde, utilizada na fabricação de fertilizantes e combustíveis marítimos sustentáveis. Durante a missão, o governo do Estado também apresentou o programa de desenvolvimento da cadeia de H2V, com investimento de R$ 102 milhões.
A agenda internacional reforça o posicionamento do Estado como protagonista na construção de soluções sustentáveis, conectando políticas públicas, setor produtivo, ciência e cooperação internacional para acelerar a descarbonização e fortalecer a resiliência climática.
Texto: Tamires Tuliszewski/Ascom Sema
Edição: Secom