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Governo do Estado conclui maior conjunto de obras de preservação da história do Palácio Piratini

Intervenções de quase R$ 27 milhões abrangem ações voltadas à segurança, à preservação e à modernização do edifício e do acervo

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Leite destacou cuidado permanente com a preservação do patrimônio público   jun26
Na cerimônia, Leite destacou cuidado permanente com a preservação do patrimônio público - Foto: João Pedro Rodrigues/Secom

Matéria atualizada às 18h44 de quarta-feira (17/6).

O governo do Estado entregou, na tarde desta quarta-feira (17/6), o segundo pacote de obras de qualificação do Palácio Piratini, da sede do Executivo gaúcho, que completou 105 anos em maio. As intervenções abrangem ações voltadas à segurança, à preservação e à modernização do edifício histórico e do acervo móvel, executadas em diferentes espaços do Complexo Palácio Piratini. A cerimônia contou com a presença do governador Eduardo Leite, de secretários de Estado e de representantes de entidades culturais. 

Desde o centenário, celebrado em 2021, foram investidos quase R$ 27 milhões em intervenções que ampliam a segurança, preservam um dos principais patrimônios históricos do Rio Grande do Sul e qualificam os espaços onde centenas de servidores trabalham diariamente. Ao todo, foram 11 iniciativas executadas ao longo dos últimos anos (no valor de R$ 23 milhões) e que, somadas às intervenções do primeiro pacote (entregue em 2023 e responsável por ações como o restauro dos murais de Aldo Locatelli, orçadas em R$ 4 milhões), configuram o mais abrangente conjunto de melhorias já realizado no prédio centenário.

O governador Eduardo Leite destacou que o conjunto de intervenções representa um cuidado permanente com a preservação do patrimônio público e com a qualificação dos espaços de trabalho no Palácio Piratini. “Esse conjunto de obras preserva um dos maiores patrimônios históricos do Rio Grande do Sul e, ao mesmo tempo, qualifica os ambientes onde centenas de servidores trabalham diariamente. Cuidar do Palácio é proteger a nossa memória, garantir segurança para quem circula por aqui e oferecer um espaço digno para quem ajuda a construir as políticas públicas do Estado. Esse mesmo compromisso com a conservação e a qualidade dos espaços é o que temos levado às escolas, hospitais, museus e demais equipamentos públicos em todas as regiões do Rio Grande do Sul”, reforçou.

Melhorias contemplam estrutura física e acervo

Entre as ações executadas estão a requalificação do quarto pavimento da Ala Governamental, onde atuam servidores do Gabinete do Governador e da Casa Militar, além da recuperação do terraço da Ala Residencial, protegendo a estrutura e seu acervo contra infiltrações. Também foi executada a recuperação dos pisos de parquê da Casa Civil e da Casa Militar, os primeiros dois ambientes concluídos em 1921, quando o Piratini foi ocupado pela primeira vez. A iniciativa contemplou ainda a instalação de novas redes elétrica e lógica, além da climatização dos dois espaços, permitindo a remoção de antigos condicionadores de ar das fachadas. 

Ainda no âmbito estrutural, foram executadas melhorias nas redes elétricas de ambas as alas e concluída a climatização da Ala Residencial, qualificando as condições de trabalho dos servidores. Somam-se a essas intervenções as realizadas na Secretaria de Comunicação (Secom), que incluíram a instalação de divisórias, vedações e adequações de ambientes.

Na área externa, foi realizada a requalificação paisagística dos jardins, de modo a aproximar as áreas verdes do que foi previsto para estes espaços no projeto arquitetônico original. Também foi implantado, pela primeira vez, um plano de conservação e manejo da vegetação. 

Leite   Governo do Estado conclui maior conjunto de obras de preservação da história do Palácio Piratini
"Cuidar do Palácio é proteger a nossa memória", disse o governador - Foto: João Pedro Rodrigues/Secom

No campo dos acervos, destacam-se duas iniciativas. A primeira contemplou o restauro de dois conjuntos de mobiliário para quarto de solteiro da Ala Residencial, ocupada pela primeira vez em 1928 por Getúlio Vargas. Ao todo, foram recuperadas 24 peças produzidas no final da década de 1920 pela manufatura gaúcha Jamardo e Irmãos. Já a segunda restaurou uma tapeçaria produzida na década de 1930 pela extinta empresa Rheingantz, de Rio Grande.

Uma das maiores fábricas têxteis do Sul do Brasil no século XIX e a primeira indústria do gênero no Estado, a companhia teve papel relevante no desenvolvimento urbano e econômico da região Sul e no processo de industrialização do Rio Grande do Sul. A peça passou por um minucioso restauro de 18 meses antes de retornar ao gabinete do governador.

Integrante do Complexo Palácio Piratini, o prédio 1005, conhecido ainda como Casa Amarela, também passou por revitalização completa. Situado na Rua Duque de Caxias, o espaço recebeu requalificação de ambientes, novos mobiliários e intervenções nas coberturas e fachadas.

“Esse conjunto de ações promoveu uma oxigenação no olhar sobre o Complexo Piratini como bem cultural. As iniciativas vão além da preservação física, orientada pelos cânones da conservação e da restauração de acervos e edificações, e avançam na construção de uma política que aproxima os servidores desse processo. Ao garantir ambientes dignos, salubres, organizados e normatizados, a proposta também estimula servidores e colaboradores terceirizados a se engajarem na preservação do nosso patrimônio”, avaliou o diretor-executivo de gestão do Complexo Palácio Piratini, Mateus Gomes.

Metodologia BIM

Outro avanço relevante foi a adoção da metodologia BIM (Building Information Modeling, ou Modelagem da Informação da Construção), que permitiu a elaboração de um modelo informacional tridimensional da edificação. Trata-se de uma ferramenta que integra, em ambiente digital, informações arquitetônicas, estruturais e construtivas do prédio histórico, possibilitando à equipe técnica de conservação uma visualização prévia e detalhada das intervenções antes de sua execução. Essa abordagem contribui para decisões mais precisas, redução de riscos e maior eficiência na gestão das ações de restauro e manutenção.

A iniciativa está alinhada à Estratégia Estadual de Fomento e Implantação do Building Information Modeling – BIMGov-RS, que tem como objetivo incentivar a adoção de tecnologias digitais e novas metodologias na elaboração de projetos, orçamentos e na fiscalização de obras públicas estaduais. Ao promover a inovação tecnológica e a modernização de processos, a estratégia busca ampliar a transparência, qualificar o controle das intervenções e otimizar a aplicação dos recursos públicos.

O trabalho contou com o apoio do Laboratório de Estudos de Tecnologias BIM  (LaBIM-RS), órgão vinculado ao Departamento de Governança de TIC (DTIC) da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG). 

PPCI

Durante o evento, um ato simbólico, com a entrega do alvará do Corpo de Bombeiros e do Plano de Emergência ao governador, também marcou a conclusão da implantação do PPCI do Palácio Piratini. A iniciativa é fundamental para garantir a salvaguarda do acervo e de todos que trabalham e circulam pela edificação diariamente. Inicialmente elaborado em 2017, o projeto foi retomado em 2023, buscando equilibrar as demandas de segurança sem comprometer as características arquitetônicas originais do prédio, que é tombado nos âmbitos federal e estadual.

PPCI   Governo do Estado conclui maior conjunto de obras de preservação da história do Palácio Piratini
Ato simbólico marcou conclusão da implantação do PPCI do Palácio Piratini - Foto: João Pedro Rodrigues/Secom

O projeto executivo foi elaborado por uma equipe do Palácio Piratini a partir de análises e estudos técnicos. Já a execução foi viabilizada pelo Ministério da Cultura e governo federal, por meio da Lei Rouanet. O custo foi de cerca de R$ 1,8 milhão, captado por meio da lei de incentivo. O projeto cultural foi desenvolvido pelo Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Sul (IHGRGS), que mantém com o Palácio, desde 2016, um protocolo para realização de ações conjuntas para a proteção do patrimônio tombado da sede do governo. 

“A implantação do PPCI no Palácio Piratini, abrangendo uma área de mais de 7 mil m², foi um grande desafio. Exigiu adaptações tecnológicas e um olhar muito sensível para essa edificação, que tem particularidades como nenhuma outra. Foram meses de um trabalho conjunto, com as empresas responsáveis, bombeiros e nossa equipe, para que pudéssemos garantir a proteção que o prédio, seus servidores e visitantes merecem”, ressaltou o arquiteto do Palácio Piratini responsável pelo projeto, Márcio Mello.

Novas esculturas

Durante a solenidade, ocorreu ainda o lançamento de duas novas esculturas que passam a integrar o acervo do Piratini. As obras homenageiam as Quitandeiras e os Lanceiros Negros, personagens importantes para a história e a formação cultural do Rio Grande do Sul.  

Concebidas pelo Ateliê Coletivo Vinicius Vieira, as peças foram selecionadas pelo Edital 16/2025 – Palácio Contemporâneo, lançado em outubro de 2025 pela Secretaria da Cultura (Sedac), por meio do Instituto Estadual de Artes Visuais (IEAVi), em parceria com o Piratini. As propostas inscritas na seleção foram avaliadas por uma comissão especializada, com base em critérios como qualidade artística, relevância conceitual, diálogo com o espaço institucional, criatividade e inovação.

As duas esculturas passam a integrar o acervo da sede do Executivo gaúcho como um gesto de equiparação cultural ao reconhecer a contribuição da população negra em um espaço institucional que, historicamente, não refletia essa presença em sua iconografia. A iniciativa busca enfrentar a ausência de representações negras nos ambientes de poder, promovendo reconhecimento e diversidade na construção da memória coletiva.

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Durante a solenidade, ocorreu ainda o lançamento de duas novas esculturas que passam a integrar o acervo do Piratini - Foto: João Pedro Rodrigues/Secom

"Trata-se de uma vitória da sociedade civil e da comunidade negra. Essas esculturas representam e são uma referência. Tanto com os Lanceiros Negros quanto com as Quitandeiras houve um resgate da história negra.  Agradecemos ao governo do Estado, às pessoas envolvidas e à equipe que acreditou e viabilizou essa iniciativa", disse a jornalista, museóloga e uma das integrantes do coletivo autor das obras, Jeanice Ramos. 

Leite ressaltou que a incorporação das novas esculturas fortalece o papel do Palácio Piratini como espaço de representação da história e da identidade do povo gaúcho. “Os símbolos são importantes porque ajudam a contar quem somos. E, se o Palácio Piratini representa o povo do Rio Grande do Sul, era necessário que esse espaço refletisse de forma mais justa a diversidade que construiu o nosso Estado. As esculturas das Quitandeiras e dos Lanceiros Negros reconhecem a imensa contribuição da população negra para a formação da nossa sociedade e ajudam a preencher uma lacuna histórica na iconografia do Palácio. Ao ampliar essa representação, preservamos a memória, valorizamos a diversidade e tornamos este espaço de poder mais fiel à história e à identidade do povo gaúcho.”

O lançamento foi acompanhado por autoridades, artistas e por representantes de diversas instâncias do movimento negro gaúcho. 

Texto: Bruna Linhares/Ascom Palácio Piratini
Edição: Secom

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