Governo do Estado reconhece escolas da rede que elaboraram planos de contingência para eventos climáticos
Evento reuniu representantes da educação e de instituições parceiras para compartilhar experiências e fortalecer prevenção
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Com o objetivo de reconhecer o trabalho das comunidades escolares na elaboração de Planos de Contingência Escolares (Plancon), o governo do Estado, por meio da Secretaria da Educação (Seduc), realizou o primeiro Encontro Estadual sobre Educação, Mudanças Climáticas e Resiliência, na quarta-feira (14/10), no Auditório do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), em Porto Alegre. O evento reuniu representantes de escolas estaduais, Coordenadorias Regionais de Educação (CREs), estudantes, órgãos públicos e instituições parceiras para compartilhar experiências e iniciativas voltadas à prevenção e à preparação para situações de risco.
Ao todo, 83 escolas participantes do primeiro ciclo do projeto Planos de Contingência para Escolas Resilientes receberam certificados em reconhecimento ao trabalho desenvolvido. A iniciativa, realizada na semana do Dia Internacional para a Redução do Risco de Desastres, celebrado em 13 de outubro, integra a estratégia de fortalecimento da resiliência nas escolas estaduais, estruturada pela Seduc após os eventos climáticos extremos de 2024.
Na abertura, a secretária da Educação, Stefanie Eskereski, destacou a construção coletiva dos planos e a importância de transformar o planejamento em ações concretas. “A construção dos planos de contingência foi um trabalho coletivo, desenvolvido com escolas, Defesa Civil, e instituições parceiras. As escolas foram priorizadas a partir de diagnósticos de risco e ajudaram a testar um protocolo que considera as diferentes realidades da rede. Agora, precisamos continuar aprimorando esse trabalho e garantir que os planos sejam efetivamente colocados em prática”, afirmou.
Escolas compartilham experiências de prevenção e preparação
No painel dedicado às boas práticas, representantes de três escolas estaduais compartilharam experiências e desafios enfrentados durante a elaboração dos planos de contingência. Selecionada como uma das unidades-piloto para a aplicação do guia de elaboração dos planos de contingência escolares, a Escola Estadual de Ensino Médio General Souza Doca, de Muçum, vinculada à 3ª CRE, foi a primeira escola a concluir o documento, em maio de 2026. A unidade foi atingida pelos eventos climáticos que afetaram o Vale do Taquari e precisou reconstruir parte de sua estrutura e reorganizar a rotina escolar.
“Depois de tudo o que vivemos com as enchentes, entendemos que precisávamos estar preparados para enfrentar situações semelhantes. A construção do plano de contingência foi um desafio, mas hoje vemos o quanto ele é importante e necessário para a escola”, relatou a diretora Karina Baronio Cucioli.
Em Canoas, a Escola Estadual de Ensino Fundamental Bartolomeu de Gusmão, da 27ª CRE, constituiu seu Comitê Plancon Escolar e concluiu, em julho de 2026, as 19 etapas previstas no processo de elaboração do plano. O trabalho envolveu diferentes segmentos da comunidade escolar, atividades com estudantes, simulados e produção de materiais informativos.
“Trabalhamos em conjunto com a comunidade escolar e contamos com o apoio de instituições parceiras na construção do plano de contingência. Também produzimos materiais informativos e cartilhas para orientar estudantes e famílias sobre como agir em situações de risco, ampliando a conscientização para além dos muros da escola”, destacou a diretora Cristiane Pena.
Já a Escola Estadual de Ensino Fundamental Alvarenga Peixoto, de Porto Alegre, da 1ª CRE, desenvolveu ações voltadas ao envolvimento da comunidade escolar e à articulação com organizações da sociedade civil e órgãos de proteção. A participação de diferentes atores contribuiu para ampliar a conscientização sobre os riscos e fortalecer a preparação da comunidade. “Hoje, os alunos sabem como agir e também ajudam a levar essas orientações para suas famílias”, ressaltou a diretora Rosângela Silva.
A programação também incluiu uma contextualização sobre a construção do guia Plancon, conduzida por Guilherme Corte, da Assessoria de Integridade e Atendimento ao Cidadão da Seduc; Isabela Souza Julio, da Assessoria Técnica da Seduc; e major Felipe Ghidini Stangherlin, da Defesa Civil estadual. A atividade abordou o processo de elaboração do material e sua aplicação nas escolas, considerando as particularidades de cada comunidade.
Estudantes participam da construção de escolas mais resilientes
O protagonismo estudantil também integrou a programação, com um painel dedicado às experiências e percepções dos jovens sobre a preparação das escolas para eventos climáticos e outras situações de emergência. Participaram da atividade Matheus De Vargas, do 2º ano do Ensino Médio da Escola General Souza Doca, vinculada à 3ª CRE; Lucas Vuaden, do 3º ano do Ensino Médio da Escola Colinas, também da 3ª CRE; e Juan Carlo Ledesma Censi, do 2º ano do Ensino Médio da Escola Américo Braga, vinculada à 12ª CRE. O painel foi mediado pela assessora técnica Vittoria Horch.
Durante a conversa, os estudantes compartilharam experiências sobre a participação dos jovens na elaboração dos planos, a importância dos simulados e a disseminação de informações sobre prevenção entre colegas, familiares e demais integrantes da comunidade. Na Escola Colinas, o processo contou com a participação da Defesa Civil municipal e de outras instituições, incluindo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que promoveu oficinas com os estudantes. As atividades contribuíram para ampliar o envolvimento da comunidade escolar e testar procedimentos previstos no plano.
“A gente conseguiu integrar praticamente toda a escola no plano de contingência, com oficinas e simulados realizados em parceria com a Defesa Civil municipal e outras instituições. Nós, jovens, também temos o papel de disseminar esse conhecimento para nossos pais, avós e vizinhos, ajudando a levar informação e prevenção para toda a comunidade”, relatou Lucas Vuaden.
Continuidade e ampliação da estratégia
O encontro também abriu espaço para discutir os próximos passos da iniciativa. No encerramento, a secretária Stefanie Eskereski reforçou o compromisso de dar continuidade ao trabalho e ampliar o número de escolas contempladas. A proposta apresentada prevê alcançar as 30 CREs. A secretária também ressaltou que as escolas precisam estar preparadas tanto para proteger estudantes e profissionais durante eventos adversos quanto para retomar as atividades e oferecer acolhimento à comunidade assim que houver condições de segurança.
O encontro foi encerrado com a entrega dos certificados às 83 escolas participantes do primeiro ciclo do projeto, reconhecendo o trabalho das equipes diretivas, dos professores, dos estudantes e das comunidades escolares na elaboração dos planos. A iniciativa busca fortalecer a prevenção e a preparação para situações de risco na rede estadual. Com o planejamento, a participação da comunidade e a articulação entre instituições, as escolas podem aprimorar seus procedimentos de resposta a eventos adversos e ampliar a proteção de estudantes e profissionais.
Edição: Secom