Pesquisador americano fala sobre questão ambiental nos EUA
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O norte-americano James Lazorchak apresentou, na manhã desta sexta-feira (29), na sede da Fundação Estadual de Proteção Ambiental do Rio Grande do Sul (Fepam), a evolução do processo de controle da poluição em efluentes líquidos desenvolvido pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA), que teve início há mais de 20 anos. Segundo ele, o principal objetivo desse trabalho é manter e restaurar a integridade química, física e biológica das águas no país. Mais de 60 pessoas acompanharam o evento, que foi gratuito e aberto ao público. Lazorchak trabalha desde 1989 em um centro de pesquisas dedicado a avaliar os impactos de vários tipos de poluentes sobre os organismos vivos e sobre o ambiente natural. Na Divisão Ecológica para Pesquisa sobre Exposições ele desenvolve novos métodos para medir o grau de contaminação em ambientes aquáticos, e a cada dia surgem novas tecnologias que têm auxiliado principalmente num maior grau de precisão nos testes. Atualmente, as medições são desenvolvidas com peixes, invertebrados e algas. Mas já se encontram em andamento alguns testes executados em nível genético, avaliando os efeitos dos poluentes diretamente sobre os genes. Outra metodologia em desenvolvimento nos Estados Unidos, já em uso na Europa, é a de monitoramento biológico contínuo. Com esse modelo, há avaliação ininterrupta da qualidade dos mananciais. Esse processo, segundo o expert em ecologia aquática e toxicologia, interessa muito aos holandeses, por exemplo, já que eles estão na parte mais baixa da região, suscetíveis a receber uma carga de poluentes de várias nações. Ainda de acordo com seu depoimento, muitos parâmetros adotados pela Fepam são semelhantes aos da EPA, como padrões para lançamento de poluentes e para qualidade das águas e metodologia para encaminhamento dos testes de contaminação ambiental. Licenciamento Ambiental Com um orçamento de US$ 1,3 bilhão por ano, a EPA mantém cerca de 20 mil funcionários, 18 mil atuando em pesquisas e 2 mil em regulamentação. Parte dessa verba é revertida aos Estados para investimento em projetos e programas na área ambiental. Nos Estados Unidos, todo o processo de licenciamento ambiental obedece uma política comum, implementada em todos os níveis pela Agência de Proteção Ambiental. Conforme Lazorchak, o licenciamento e a relação entre empresas e órgãos ambientais tem evoluído muito em seu país e também no Brasil. O processo de licenciamento auxilia as empresas a melhorar seus processos e, como conseqüência, obter mais lucro. Muitas indústrias estão se tornando verdes, o que ainda melhora sua imagem pública. Nos anos 70 isso era diferente, hoje sentamos à mesa como parceiros, e acredito que isso também está ocorrendo no Brasil. Questionado sobre a relação da EPA com o presidente George W. Bush, que tem declarado publicamente seu desapreço pelas questões ecológicas, o cientista disse que existe todo um aparato legal destinado a proteger o meio ambiente, e isso não pode ser alterado sem um grande debate público.