Profissionais do Haiti e de Cuba conhecem modelo de saúde mental implementado no Estado
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A Secretaria Estadual da Saúde (SES) realizou nesta sexta-feira (21) reunião ampliada sobre Saúde Mental na Atenção Primária e Desinstitucionalização, no auditório do Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff). O encontro marcou o encerramento da semana de visitações técnicas realizadas no Rio Grande do Sul por uma comitiva de profissionais de saúde mental do Haiti e de Cuba, e contou com a participação dos municípios que receberam as visitas da delegação, além dos servidores da SES.
O coordenador Nacional da Política de Saúde Mental do Haiti, René Domersante, falou sobre os desafios e o trabalho realizado no âmbito da saúde mental naquele país. Já o psiquiatra infantil de Cuba Cristóbal Martinez destacou a metodologia de trabalho cubano em saúde mental, com foco na participação da comunidade. A finalidade do encontro é definição de um plano de trabalho entre os três países, em que serão acertadas também ações do Rio Grande do Sul em contribuição com o Haiti.
Reconhecendo que do outro lado não existe apenas uma cor de pele, um diagnóstico ou algum tipo de estigma, mas, sim, uma pessoa que também tem os mesmos direitos de viver com liberdade e com cidadania, é possível a construção de uma sociedade sem manicômios e mais igualitária, disse o diretor da Escola de Saúde Pública da SES (ESP/SES), Márcio Belloc.
Segundo o diretor, é a troca de experiências que oportuniza o desenvolvimento de um trabalho mais aprimorado, possibilitando a construção de uma rede de atenção em saúde mental que possa beneficiar não apenas os usuários.
Para a representante do Ministério da Saúde (MS) e coordenadora do Projeto de Cooperação Tripartite Brasil-Haiti-Cuba, Elisabeth Wartchow, que acompanhou o processo de visitações ao longo da semana, o Haiti não tem um sistema de saúde mental organizado, nem regulamentado, pois dispõe de apenas dois hospitais psiquiátricos, e o modelo de tratamento ainda está baseado na internação dos pacientes e exclusão dos seus direitos, do convívio com a família e, principalmente, da sociedade.
O que mais chamou a atenção da comitiva foi o acesso à assistência de saúde de forma totalmente gratuita, a medicação e o acolhimento em residenciais terapêuticos disponibilizados aos usuários, ressaltou Elisabeth, mencionando especialmente a integralidade das ações. Ela afirma que o modelo desenvolvido no Estado poderá ajudá-los na construção das políticas de saúde mental no Haiti. Nosso pedido é que o Brasil ajude a capacitar profissionais para que o tema da saúde mental possa ser incluído na atenção primária, completa.
Segundo avaliação de René Domersante, a abordagem comunitária que foi decidida para o Haiti é praticamente a mesma adotada no Brasil, exceto pelo fato de que aqui há um processo de desinstitucionalização ainda não iniciado lá. Nos encontramos praticamente sozinhos em nível nacional, e muitas ações foram realizadas de modo colaborativo. Mesmo com grande criatividade, também é preciso recursos para o desenvolvimento desse trabalho. Podemos ter resultados, mas isso não será fácil.
Formada pelo coordenador Nacional da Política de Saúde Mental do Haiti, René Domersante, juntamente com dois psiquiatras de Porto Príncipe e dois psiquiatras de Havana - colaboradores do governo cubano na cooperação tripartite-, o objetivo da comitiva foi o conhecimento da rede de saúde mental desenvolvida no RS para a qualificação da atenção em saúde mental existente no Haiti.
Entre os dias 17 e 20/02, foram visitados dois residenciais terapêuticos da SES, além de leitos de saúde mental em hospitais gerais, oficinas de geração de renda, Centros de Atenção Psicossociais do Estado (Caps) e unidades básicas de saúde com ações de saúde mental nos municípios de Porto Alegre, São Lourenço do Sul e Sapucaia do Sul.
Texto: Priscila da Silva
Foto: Taiane Fagundes
Edição: Redação Secom (51) 3210.4305