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Queijo serrano pode obter certificado de identificação geográfica

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Para identificar produtos com potencial para indicação geográfica, os técnicos da Superintendência Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado, Edna Ferronatto e Roberto Lucena, visitam queijarias nos municípios de Bom
Queijo serrano pode obter certificado de identificação geográfica

Para identificar produtos com potencial para indicação geográfica, os técnicos da Superintendência Federal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado, Edna Ferronatto e Roberto Lucena, visitam queijarias nos municípios de Bom Jesus e São José dos Ausentes. Juntamente com técnicos da Emater/RS-Ascar, lideranças municipais e associações de produtores, eles participam de reuniões. As visitas se encerram nesta quarta-feira (15).

Uma IG é o reconhecimento das qualidades específicas de um produto identificado com determinado território. Os técnicos verificam a necessidade de apoio no processo junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), órgão responsável por esse registro. Durante três dias em que visitaram a região, os técnicos fizeram o conhecimento da história e os avanços obtidos em termos de conhecimento sobre o queijo artesanal serrano, a maturidade da cadeia produtiva, a organização dos produtores e o interesse em uma obter a IG.

O assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar de Caxias do Sul, Jaime Ries, explica que o trabalho desenvolvido por diversas instituições, desde 2006, através do Projeto de Qualificação e Certificação do Queijo Artesanal Serrano, procurou ampliar o conhecimento sobre o produto, legalizar as queijarias artesanais e organizar os produtores, condições indispensáveis para a indicação geográfica. Esse reconhecimento busca proteger o direito de produção para as famílias dessa região; distinguir o produto no mercado, gerando maior valorização; e assegurar aos consumidores a garantia de estar adquirindo o produto desejado, conclui Ries.

Queijo serrano

O queijo serrano é produzido exclusivamente por pecuaristas familiares dos Campos de Cima da Serra do RS e Serra Catarinense. É fabricado a partir de leite cru, de vacas de raças de corte ou cruzadas, alimentadas basicamente nos campos nativos. A isso se somam as peculiaridades do processo artesanal de elaboração, passado de geração em geração, com pouquíssimas alterações. Como cada produtor processa apenas o leite que produz, a fabricação é em pequena escala (muitas vezes sazonal).

Produzido há mais de 200 anos, a partir de receita de origem portuguesa, é o queijo mais antigo da Região Sul do Brasil e que integra a cultura serrana. Possui uma textura amanteigada e aroma e sabor que se acentuam com a maturação, e que o diferenciam dos demais queijos artesanais brasileiros.

Importância para as famílias

A produção envolve cerca de três mil famílias nos dois estados. Apesar de geralmente ser fabricado e comercializado na informalidade, devido às restrições da legislação brasileira para esse tipo de produto, representa, muitas vezes, mais de 50% da renda das propriedades com até 200 hectares. A esse produtor, interessa tanto vender o queijo, que garante a manutenção da família, como os terneiros, considerados uma poupança.

Ações do Programa de Qualificação e Certificação do Queijo Artesanal Serrano:

- Resgate da história do produto e delimitação da região produtora;
- Descrição do processo de fabricação e caracterização do queijo artesanal serrano;
- Descrição do sistema e do ambiente de produção;
- Projetos para busca de recursos para investimentos em queijarias, visando à adequação à legislação;
- Implantação de serviços de inspeção municipal;
- Qualificação do processo de ordenha e das práticas de fabricação;
- Discussão de nova legislação para regulamentar as microqueijarias, em estudo pela Secretaria Estadual da Agricultura (Seapa/RS);
- Encaminhamento de documentos para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), neste mês de maio, requerendo o registro do saber fazer do queijo artesanal serrano como bem cultural de natureza imaterial.


Texto: Rejane Paludo
Foto: Imprensa Emater
Edição: Redação Secom (51) 3210-4305

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