RS terá primeiro estúdio de gravação público do País
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Nesta terça-feira (07), às 19h, com a presença do governador Olívio Dutra e o secretário Luiz Marques, a Secretaria de Estado da Cultura (Sedac) inaugura na Fundação Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore (IGTF) o primeiro estúdio de gravação público do país - único do Estado e não se tem notícia da existência de outro na América Latina. O estúdio levará o nome de César Passarinho, um dos grandes intérpretes da música regional, e funcionará na sede IGTF, Centro Administrativo do Estado, à av. Borges de Medeiros, 1501, térreo, sala 10. As condições de utilização e o edital serão anunciados em breve, após discussão com a comunidade cultural. Este moderno Estúdio Público de áudio servirá para que músicos, estudantes e pesquisadores tenham acesso a todas as possibilidades tecnológicas com infra-estrutura e pessoal especializado. Além de gravar um CD, o estúdio César Passarinho permitirá reproduzir os velhos discos de 78 rotações. O equipamento estará disponível para servir ao desenvolvimento artístico e cultural do Estado, democratizando e gerando alternativas para a produção local. A criação de um estúdio público representa um ganho para a categoria dos músicos por oferecer meios para que seja desenvolvido um trabalho. Segue um rumo que eu acho correto, o poder público criando um espaço democrático e perene, reforça o jornalista e cantor Victor Hugo. O estúdio funcionará mediante agendamento e serão cobrados apenas os custos operacionais. Um estúdio público de gravação de áudio é fundamental para a existência do Museu do Som Regional. A idéia de sua criação surgiu a partir da necessidade dos equipamentos para remasterização, digitalização e conversão das antigas gravações em vinil e cassete para matrizes mais atuais tipo Cd ou MP3. O presidente da Associação dos Pajadores e Declamadores Gaúchos, Paulo de Freitas Mendonça, destaca que o estúdio vai proporcionar a fluência de novos compositores que no início da carreira carecem de oportunidades dentro da mídia. O Secretário de Estado da Cultura Luiz Marques acrescenta que estamos na contramão do neoliberalismo ao construir o primeiro estúdio público do Brasil para valorizar os jovens talentos do Estado. César Passarinho O nome Passarinho é uma referência ao pai de César, que era chamado de Gurrião (Pardal). Natural de Uruguaiana, sua trajetória se confunde com a própria história da Califórnia. Ganhou quatro Calhandras de Ouro e por sete vezes foi o melhor intérprete. Começou tocando bateria nos bailes da cidade junto com o Conjunto Hi-Fi. Com a boina companheira cantou as coisas da terra e o seu romantismo, marcados pela voz cheia de emoção em interpretações emocionadas. Passarinho morreu em 1998, aos 49 anos, vítima de câncer pulmonar. Algumas pérolas cantadas por César Passarinho são: Último Grito - ganhadora da 3ª Califórnia (1973). Guri - música de Júlio Machado da Silva e João Batista Machado venceu em 1983. Negro da Gaita - música de Airton Pimentel e ganhadora de uma Califórnia. Que Homens São Esses Milongueando Essas Lembranças Tuas - último álbum lançado em 1996. Arrogância de Milongas - de autoria de Luiz Coronel. Quando Morre um Menino. Data: 07 de maio de 2002. Horário: 19 horas. Local: Sede do IGTF, Centro Administrativo do Estado (Av. B. de Medeiros, 1501, térreo, sala 10 Penha Crioula O Governo do Estado do Rio Grande do Sul, representado pela Secretaria de Estado da Cultura, através do IGTF, em parceria com o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG), promove também amanhã, às 20h, a sexta edição da Penha Popular do Conesul, no Galpão Crioulo Jayme Caetano Braun, junto ao Centro Administrativo do Estado, av. Borges de Medeiros 1501, com entrada franca. Será servido um jantar típico, a R$ 3,00 por pessoa. Neste mês a Penha presta uma homenagem especial para a inauguração do Estúdio César Passarinho. O evento reproduz o ambiente da Peña Platina e da Tertúlia Crioula numa mostra das manifestações do nativismo rio-grandense e platino pela expressão artística. O artista convidado é Talo Pereyra, compositor, intérprete, arranjador e violonista, natural de La Plata, República Argentina, que está radicado no Rio Grande do Sul desde 1976. Como compositor, começou sua carreira na Califórnia de Uruguaiana em 1977, quando obteve o 1º lugar na linha de manifestação rio-grandense e tornou-se o mais premiado da história dos festivais nativistas, acumulando até agora 37 primeiros lugares. Entre eles, destacam-se o Musicanto Sul-americano de Nativismo, a Sapecada de Lages, os bi-campeonatos da Ciranda Teuto-rio-grandense, do Carijo de Palmeira das Missões, do Grito de Jaguari, da Coxilha de Cruz Alta e da Linha Campeira da Califórnia da Canção Nativa. Como intérprete, Talo já se apresentou nas principais capitais brasileiras e também em Montevidéu, Buenos Aires e Santiago do Chile. Exímio violonista, obteve o prêmio de melhor instrumentista na Tafona de Osório. Como arranjador, seu trabalho nas músicas Fogo Morto, Festa Setembrina, João Mulato Carreteiro e, especialmente, Brasilhana (esta última é um marco na música gaúcha, segundo a crítica especializada), é amplamente reconhecido pela classe musical e pela crítica. Independente, optou por uma proposta mais consistente de construção de sua obra, junto dos principais parceiros: Jayme Caetano Braun, Aparício Silva Rillo, José Hilário Retamozo, José Fernando Gonzales e Robson Barenho. Preparou para esta edição especial da Penha Popular do Conesul um espetáculo com grandes parceiros de sua trajetória artística, além de participações especiais em vários momentos do show. Acompanham Talo (voz e violão), Texo Cabral (flauta), Mano Monteiro (bandoneon), Ernesto Fagundes (percussão) e Lucas Esvael (contra-baixo). Nas participações especiais estarão Flávio Hansen, João de Almeida Neto, Cláudia Quadros, Ernesto Fagundes e Léo Almeida.