Secretário de Comunicação media painel com Demétrio Magnoli e Fernando Schüler no Festival Fronteiras
Caio Tomazeli conduziu uma conversa descontraída com o tema Democracia na Era Digital
Publicação:
O secretário de Comunicação, Caio Tomazeli, mediou neste sábado (16/5), no Palácio Piratini, o painel Democracia na Era Digital, que integra a programação do Festival Fronteiras, em Porto Alegre. A discussão abordou temas como o futuro da política, os efeitos das redes sociais e relações internacionais. O evento tem apoio institucional do governo do Estado.
Recebendo o jornalista e sociólogo Demétrio Magnoli e o curador do festival, Fernando Schüler, o secretário abriu o diálogo fazendo um questionamento sobre o cenário internacional e as lições que podem ser extraídas do encontro que ocorreu nos últimos dias entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping. “Olhando para o conceito de sociedade aberta, temos um paradoxo hoje: a China, uma das principais potências econômicas do mundo, não é uma sociedade aberta, mas, sim, fechada e lida com o capitalismo de uma forma totalmente diferente. Vimos Trump e Xi Jinping em um encontro que está sendo considerado uma verdadeira aula. Como a política se insere em todo esse contexto?”, questionou Tomazeli.
Durante o encontro, que tinha na plateia o renomado filósofo e autor de mais de 20 livros Luiz Felipe Pondé, o secretário também teceu comentários sobre as mudanças provocadas pelo universo digital. “Sabemos que as sociedades que não conseguem produzir o mínimo de consenso têm grande dificuldade em avançar, em resolver os problemas de forma coletiva. Estamos percebendo que a política, como a conhecemos, talvez esteja chegando ao fim. Terá que vir outra política, capaz de conviver com toda essa diversidade, onde cada um tem seu fato e pode acreditar nele e defendê-lo de uma forma particular”, pontuou.
Schüler e Magnoli falaram sobre polarização, fragmentação do espaço público e baixa empatia no ambiente digital, entre outros assuntos. "Numa sociedade fundamentalmente analógica, as pessoas são obrigadas, em seu cotidiano, a conviver com o diferente na escola, no trabalho, nos grupos, na cultura, no futebol, em diversos espaços. Já o mundo digital facilita brutalmente a fabricação de comunidades. Eu gosto de chamar de comunidades autofabricadas. Grupos tendem a expulsar o dissidente e a premiar lealdade. A esfera digital é uma esfera de baixa empatia", comentou Schüler.
“É impossível falar de democracias modernas sem falar da imprensa. A imprensa criou uma praça de ideias comum a toda a sociedade. Depois apareceram as redes sociais, que são um lugar de baixíssima empatia, porque, no lugar de uma praça comum, criaram infinitos coretos: as pessoas se separaram e cada uma se organizou em torno de um coreto. Elas começaram a acreditar em coisas fantásticas apenas porque apareceu na sua rede social", disse Magnoli.
O Festival Fronteiras ocorre em Porto Alegre, na Praça da Matriz e em seu entorno. O evento, que começou na sexta-feira (15/5) e termina neste sábado (16/5), reúne mais de 50 pensadores nacionais e internacionais para discutir questões da contemporaneidade. Com atividades distribuídas em dez palcos, a programação inclui diálogos, podcasts, performances artísticas e dois grandes shows abertos ao público ao final de cada dia.
Texto e edição: Secom