Seguindo influência europeia, primeiros prédios escolares do Rio Grande do Sul valorizam edificações monumentais
Segunda reportagem da série de seis matérias sobre os modelos de edificações aplicados à educação destaca primeiras edificações
Publicação:
Se os modelos arquitetônicos atuais levam em conta os efeitos da arquitetura na educação, a situação era diferente quando as escolas começaram a surgir pelo país. Na maior parte do século 19, não havia instituições de ensino como hoje, e as poucas pessoas que aprendiam a ler o faziam em casa ou em lugares adaptados, com a infraestrutura possível. Ensino público era raro.
Construções específicas para o ensino começaram a surgir durante a Primeira República (1889-1930). O nascente governo que havia deposto a Monarquia precisava solidificar suas bases junto à população e viu na educação formal um meio de se popularizar e de promover avanços sociais e econômicos.
Para mostrar o poder do Estado, foram construídos prédios monumentais, inicialmente em estilo neoclássico ou eclético, tendo bastante influência da arquitetura europeia. Fazia-se uso de materiais delicados como gesso e estuque, que exigiam bastante manutenção e o emprego de técnicas vindas de fora do país. As escolas daqueles anos eram simétricas e tinham alas separadas por sexos, grandes escadarias e fachadas ornamentadas.
Um prédio voltado para o Guaíba
Em Porto Alegre, por exemplo, o engenheiro da SOP Affonso Hébert projetou, em 1913, o então Colégio Elementar Fernando Gomes, na atual rua Duque de Caxias. Concluído em 1922, o prédio não se resumia à educação: representava um projeto de saneamento, higienização, embelezamento e melhoramento moral da capital gaúcha, recuperando uma das zonas mais antigas e problemáticas da cidade. Com o suntuoso prédio, pensava-se que quem olhasse Porto Alegre a partir do Guaíba ficaria encantado com o lugar.
A partir de 1946, o prédio de estilo eclético passou a abrigar a Escola Técnica Senador Ernesto Dornelles, primeiro exclusivamente feminina e, depois, para ambos os sexos.
Um projeto parecido foi criado por Theophilo Borges de Barros, em 1918, para a Escola Complementar da Rua General Auto, atual Colégio Estadual Paula Soares, que fica ao lado do Palácio Piratini, na capital. Entregue em 1922, o edifício tem um imponente pórtico de entrada com duas colunas em estilo neoclássico e era conectado à sede do governo do Estado por uma escadaria.
Os dois prédios escolares têm planta em forma de U, pátio voltado para a frente do edifício e fachada simétrica com uma área central e alas laterais. Construídos para mostrar a força do governo, os prédios, agora centenários, ainda se destacam na região central de Porto Alegre pela sua arquitetura.
Texto: Ariel Engster/Ascom SOP
Edição: Secom