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Fatores críticos e futuro da Ceitec são temas de debate no último dia do RS Innovation Stage

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Sentados no tablado sobre cadeira estão quatro homens homens. Um deles está falando ao microfone para a plateia, que aparece de costas na imagem. Atrás dos painelistas há uma tela na qual está projetado um gráfico com cinco colunas cujos dados não podem ser especificados por causa da distância.
Painelistas apontaram que o investimento governamental é essencial para o desenvolvimento do setor - Foto: Lauro Alves/Secom

Fatores críticos e o futuro do Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (Ceitec) foi o tema de um dos painéis que movimentaram a manhã desta sexta-feira (22/3) no South Summit Brazil, evento correalizado pelo governo do Estado. A retomada da empresa de semicondutores exige fortes investimentos governamentais, como foi consenso entre os painelistas. 

Para o diretor da Ceitec, Eric Fabris, discutir a retomada da fábrica de semicondutores exige entender a dimensão desse setor em nível mundial. “Os governos têm tido papeis essenciais nessa conjuntura. Vemos os Estados Unidos, a Coreia do Sul, o Japão, e a própria União Europeia, com mecanismos de incentivo", pontuou.

"Sabemos que os custos de implantação são diferentes. Temos que fazer uma equalização de custo de implantação, operação e propriedade da plataforma industrial em cada região do globo. Essa é uma estratégia sólida a longo prazo, até porque para conceber uma plataforma industrial entregando volume, leva de cinco a sete anos”, explicou Fabris.

Endossando a fala de Fabri, Adão Villaverde, político e professor da PUCRS, reforçou a importância de investimentos governamentais. “A partir de uma estratégica nacional, vamos irradiar um conjunto de instrumentos para alavancar políticas públicas nesse ecossistema para o país. Se vamos ter uma estratégia nacional para a Ceitec, precisamos de muito dinheiro, em torno de R$ 1 bilhão. Temos capacidade instalada, temos elementos chave e, com aporte financeiro, retomaremos a empresa sobre outra perspectiva. Sem chip não tem transformação digital”, argumentou. 

Embora seja uma estatal federal, o olhar do governo gaúcho para a Ceitec foi saudado pelo professor e pesquisador do Instituto de Informática da Universidade federal do Rio Grande do Sul, Sergio Bampi. “O Rio Grande do Sul voltou a olhar para a Ceitec como um ativo importante. Os investimentos em semicondutores são política de Estado em todos os países que querem soberania e estratégia nessa área. Mas, para entregar o que se propõe, precisa de investimentos. Só assim fortaleceremos o ecossistema”, salientou. 

Por fim, o deputado estadual Miguel Rosseto destacou a importância da retomada da Ceitec e seu papel na soberania nacional: “Falar em semicondutores é falar em segurança econômica e nacional. O governo federal fez uma escolha de preservar a Ceitec após um período de liquidação e estamos, agora, com essa agenda de retomada. Somos a única empresa na América Latina com essa capacidade produtiva e temos que nos fortalecer e colocar essa potência dentro de uma escala global com muitas possibilidades de articulação.”

Investimentos

O governo do Estado, através da Secretaria de Inovação, Ciência e Tecnologia (Sict), desenvolve o programa Semicondutores RS. A iniciativa é uma estratégia para tornar o Rio Grande do Sul uma referência nacional no setor, com expectativa de projeção no mercado internacional. Lançado em setembro de 2023, o programa deve contar com um investimento de cerca de R$ 70 milhões até 2026.

A primeira medida foi o lançamento do edital Inova Semicondutores, em setembro, com aporte de R$ 3 milhões e que selecionou três propostas para capacitação de projetistas de circuitos integrados, mão de obra necessária nesse segmento. Em seguida, foi anunciado o edital Techfuturo Semicondutores, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs), vinculada à Sict, prevendo R$ 6 milhões para projetos de formação de redes de alto nível de competitividade científica e tecnológica, integrando pesquisadores de universidades a empresas estabelecidas e startups.

Texto: Jéssica Moraes/Ascom Sict
Edição: Rodrigo Toledo França/Secom

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