Florestamento no RS gera neutralização de carbono
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Os investimentos privados atraídos pelo Governo do Estado no setor de base florestal, liderados, na Metade Sul, pela Votorantim Celulose Papel, Aracruz Celulose e Stora Enso, aproximam o Rio Grande do Sul dos países europeus na mais recente prática ambientalista: a neutralização do dióxido de carbono (CO2). O novo conceito de carbono neutro veio no rastro dos debates sobre aquecimento global. Na prática, ele significa o plantio de árvores para compensar o dióxido de carbono jogado na atmosfera pelas atividades empresariais. É uma atitude de respeito em relação ao meio ambiente. O modus operandi é este: calcula-se o equivalente de CO2 gerado na quilometragem rodada pelos veículos de uma empresa ou instituição, por exemplo, e se compensa essa participação danosa ao aquecimento do planeta por meio do plantio de árvores. Cada tonelada de carbono equivale, na escala convencionada pelos ambientalistas, a cinco árvores. As árvores absorvem o CO2 na fotossíntese. O CO2 é um dos seis gases que provocam o efeito estufa. Portanto, neutraliza-se, com essa moderna prática ambientalista, o dióxido de carbono produzido no trabalho ou em outras atividades e se contribui na luta contra o aquecimento global. Graças aos projetos de florestamento negociados pelo Governo do Estado para a Metade Sul, o Rio Grande do Sul já se agiganta nesse tipo de investimento institucional. A Votorantim aplicou R$ 100 milhões na compra de 40 mil hectares em 14 municípios, envolvendo, num raio de 200 quilômetros, Rio Grande, Bagé e o Norte do Uruguai, área onde implanta viveiro com capacidade para 30 milhões de mudas de eucalipto/ano e 500 mil mudas anuais de espécies da flora nativa. A Aracruz Celulose implantou um novo viveiro no seu horto de Barba Negra, em Barra do Ribeiro, além de ter investido R$ 150 milhões na expansão da sua planta industrial de Guaíba, aumentando a produção de celulose branqueada de eucalipto, a árvore matéria-prima. E a Stora Enso está aplicando 50 milhões de dólares na compra de 50 mil hectares de terras distribuídas por oito municípios, nos quais plantará florestas. Tão importante quanto as iniciativas das grandes florestadoras, é o sensacional desenvolvimento dos empreendimentos de plantadores individuais, graças à promoção do Governo do Estado, por meio do programa Proflora, da CaixaRS, ligada à Sedai, ressalta o titular da Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais, Luis Roberto Ponte. São 385 projetos já implantados ou em implantação, com 23.634 hectares de florestas de acácia negra, eucalipto e pinus, pulverizados pelas mais diversas regiões do Estado, totalizando financiamentos de R$ 34,7 milhões. E a CaixaRS tem mais 36 projetos em análise, envolvendo mais R$ 4,4 milhões, para plantio ainda neste ano. É uma avenida nova que se abre no agronegócio gaúcho, gerando muitos empregos e desenvolvimento social, especialmente na Metade Sul, acrescenta Ponte. Mesmo que a neutralização seja uma prática ainda incipiente no Brasil, de caráter voluntário, sem obrigatoriedade governamental, pois dela participam as empresas que assim o desejarem, os empreendimentos na Metade Sul do Estado já são uma projeção do que poderá ser a contribuição do Rio Grande do Sul no esforço mundial de redução do CO2. O conceito neutro em carbono não foi previsto no Protocolo de Kyoto, que estipulou a redução das emissões de dióxido de carbono pelos países poluidores para 5,2% dos níveis de 1990. Contudo, grandes grupos europeus já o incorporaram, pois ele atende a critérios socioambientais e se revela também uma poderosa ferramente de marketing. Para o secretário estadual do Meio Ambiente, Claudio Dilda, a neutralização de carbono, que faz parte das políticas públicas no Rio Grande do Sul, terá grande contribuição por parte da cadeia produtiva de madeira que ora está se implantando em nosso Estado. A Comissão Especial de Estudos, Promoção e Captação de Recursos relativos aos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo, que tem a incumbência de desenvolver o Programa Biocarbono-RS, está atenta a todo e qualquer projeto que tenha potencial de neutralização de carbono, incluindo os projetos agrossilvipastoris com ênfase na silvicultura. Com estas iniciativas, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente espera fomentar a implementação de tais projetos, em uma política de manutenção e incremento da qualidade ambiental, aliada ao desenvolvimento social e econômico. Tabela elaborada pela empresa londrina The CarbonNeutral Company relaciona, continente por continente, a média anual de emissão de CO2 e o correspondente plantio de árvores, por habitante, necessário para ocorrer a neutralização. Assim, na América do Norte, cada indivíduo libera em suas atividades (consumo de combustível, de energia, ou gerando lixo) o correspondente a 19,9 toneladas de CO2/ano e precisaria plantar 27 árvores no mesmo período. Na Europa, são 8,35 toneladas homem/ano, exigindo 11 árvores como compensação. Na América Latina, a relação cai para 2,30 toneladas/homem, requerendo o plantio de três árvores por ano. Com 10 milhões de habitantes, o Rio Grande do Sul deve plantar 30 milhões de árvores/ano. É o número projetado de mudas de eucalipto/ano por uma das empresas do setor de base florestal que optaram por investir no Estado.