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Governo do Estado destaca Dia Estadual do Butiá com palestras, painéis, oficinas e degustação em Caxias do Sul

Data inspirou atividades relacionadas com agricultura, desenvolvimento e sustentabilidade

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Foto da oficina geleia e molho com butiá
Palestrantes demonstraram modelos sobre o potencial gastronômico do butiá, com benefícios para saúde e economia - Foto: Fernando Dias/Seapi

Fruto do butiazeiro, o butiá é considerado símbolo cultural e da biodiversidade do Rio Grande do Sul. Tamanha é sua importância que ganhou o Dia Estadual do Butiá, celebrado nesta sexta-feira (13/3). E para marcar a data, o governo do Estado realizou, quinta-feira (12/3) e sexta, o “Dia Estadual do Butiá”, com palestras, painéis, oficinas e degustação de produtos com a fruta, em Caxias do Sul.

As atividades foram promovidas pelo Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa em Alimentos e Bebidas (Ceab), vinculado ao Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA), da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi). Foram parceiros a Emater-RS/Ascar e a Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), com apoio de Sicredi Pioneira, Sebrae e Associação Gaúcha de Laticinistas e Laticínios (AGL).

Na quinta-feira, o biólogo e pesquisador do Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Agronômica (Ceagro) do DDPA, Gilson Schlindwein, apresentou o painel “Diversidade e potencialidades de uso de frutos de butiazeiros no RS”, falando sobre as espécies existentes no Estado, territorialidade e características das espécies, variabilidade fenotípica entre plantas. Também abordou a importância ecológica e econômica, enfatizando o potencial de uso dos frutos.

No mesmo dia, a também pesquisadora do DDPA e mestre em Desenvolvimento Rural, Larissa Ambrosini, palestrou sobre a pesquisa “Diagnóstico do extrativismo, processamento e comercialização de produtos de butiazais no RS”, cujos dados mostram que a principal aplicação é o autoconsumo. Consumos in natura, da cachaça com butiá e do suco são predominantes.

Baixa contribuição na renda

Apesar do alto potencial, o estudo aponta que, atualmente, o butiá contribui pouco com a renda. “De maneira geral, 81% dos entrevistados declararam não obter renda com a extração e o processamento de produtos do butiazeiro, 16% disseram que esses produtos contribuem entre 1% a 5% para a renda da propriedade”, detalhou Larissa.

A pesquisa mostrou, entretanto, que entre produtores que adotam o manejo orgânico, 46% obtêm renda a partir da extração de produtos dos butiazais, enquanto entre os produtores que adotam o manejo convencional, esse percentual é de 8%.

Degustação de iogurtes

Durante o evento, foi disponibilizado para degustação um iogurte com polpa de butiá fornecida pelo Centro Estadual de Diagnóstico e Pesquisa Periurbano (Cepap) do DDPA, de Viamão. De acordo com o analista da Seapi, Danilo Gomes, o butiá apresenta potencial de ação prebiótica (a polpa do butiá é rica em fibras que servem de alimento para as bactérias ácido- lácticas) e probiótica (o iogurte contém as bactérias ácido-lácticas, bactérias boas, que melhoram o funcionamento intestinal).

Foto de oficina despolpamento do butiá
Em oficina, pesquisadores apresentaram técnicas de despolpamento e processamento da fruta - Foto: Fernando Dias/Seapi

Despolpamento e processamento

O pesquisador do Ceagro, Adilson Tonietto, ministrou a oficina mostrando que o butiá pode ser processado e quando corretamente armazenado permite consumo o consumo por um período mais longo que sua safra, a qual ocorre entre janeiro e março. “Entre os produtos, podem ser obtidos o néctar e a polpa de butiá. A polpa tem a vantagem sobre o néctar por poder gerar diversos outros produtos como o próprio néctar, doces ou ser utilizada na culinária”, destacou Tonietto.

Harmonização com cervejas e queijos

A oficina “Harmonização de cervejas e queijos à base de butiá” foi proporcionada pelo cervejeiro Ivan Tisatto, o qual demonstrou que o butiá é uma fruta que se comporta muito bem quando adicionada à cerveja. “É ácida, refrescante e não tem problemas com oxidação, quando comparada a outras frutas”, descreveu. Tisatto apresentou três cervejas feitas com butiá.

Foto de degustação de iogurte com polpa de butiá

O butiá na gastronomia

Na sexta-feira, um dos destaques foi a “Oficina de geleia e molho salgado à base de butiá”, ministrada pela nutricionista e extensionista rural social da Emater-RS/Ascar, Leila Ghizzoni, que elaborou duas receitas com butiá. “A primeira foi uma chimia utilizando a polpa do butiá e a segunda, um molho agridoce, receita elaborada na Cozinha Show da Emater no pavilhão da Agricultura Familiar na Expointer.

Foto de prato principal ragu de cordeiro com purê de batata e farofa de butiá
Ragu de cordeiro com purê de batata e farofa de butiá encantou o paladar de quem degustou - Foto: Fernando Dias/Seapi

O tema “Potencial gastronômico das espécies de butiá” guiou a palestra apresentada pela professora do curso de gastronomia da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA), Bruna Gewehr, e pela vice-coordenadora e também professora do curso de gastronomia da universidade, Isabel Kasper Machado.

Bruna e Isabel elaboraram almoço com pratos à base de butiá, com menu com entrada, prato principal e sobremesa, todos com butiá. “A ideia foi mostrar a potencialidade e versatilidade de uso da fruta em preparações”, contou Bruna. Ela enfatizou que a inserção da fruta em preparações incentiva a cadeira produtiva, aumenta a qualidade nutricional das refeições e contribui para dietas sustentáveis, com menos ingestão de ultraprocessados.

Dia Estadual do Butiá

O Dia Estadual do Butiá no Rio Grande do Sul foi instituído pela Lei Estadual 15.922, de 2022. A data é o dia 13 de março e valoriza o butiá como fruto símbolo dos ecossistemas do sul, promovendo a conservação dos butiazais, a cultura gaúcha e a sustentabilidade, além de integrar o Calendário Oficial de Eventos do RS. A celebração também tem como objetivo incentivar o uso sustentável do butiazeiro, importante para a conservação da biodiversidade.

Texto: Darlene Silveira
Edição: Secom

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