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Governo do Estado inaugura fábrica de calçados com emprego de apenados no Presídio Estadual de Sarandi

Atividade remunera, reduz pena e oportuniza experiência profissional aos participantes

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Imagem de apenados em trabalho de costura e montagem de calçados
Espaço permitirá oportunidade para até 50 pessoas em cumprimento de penas privativas de liberdade - Foto: Arthur Plácido/Ascom SSPS

O governo do Estado, por meio da Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) e da Polícia Penal, realizou, nesta sexta-feira (13/3), a inauguração de uma fábrica do setor calçadista no Presídio Estadual de Sarandi. O projeto foi idealizado em cooperação da SSPS com a empresa Beira Rio e o atelier de costura Maeve. O espaço tem capacidade para até 50 pessoas privadas de liberdade do regime fechado trabalharem — oito já estão atuando —, ampliando as oportunidades de qualificação profissional e de atividade laboral no sistema prisional.

Em 2025, a SSPS e a Polícia Penal implantaram o Projeto Mãos que Reconstroem, uma iniciativa que surgiu depois que o governador Eduardo Leite assinou, no município de Santiago, uma ordem de serviço para a construção de 28 leitos de UTI com apoio da mão de obra prisional. “Lá eu fiquei sabendo que 90% do hospital estava sendo feito dentro dos presídios. E esse trabalho que estão fazendo aqui é um fortalecimento, porque vai ajudá-los quando saírem. Nós já criamos 2.170 vagas de trabalho, porque acreditamos na ressocialização por meio do trabalho. Sempre digo que todo recomeço merece uma oportunidade e o Estado está dando essa oportunidade”, relatou o titular da SSPS, Jorge Pozzobom.

A fábrica está localizada em um anexo da unidade prisional. Para a diretora do Departamento Técnico e de Tratamento Penal, Rita Leonardi, projetos como este representam um avanço na construção de alternativas concretas para a reintegração social dos apenados. “Quando a Polícia Penal oportuniza trabalho dentro das unidades prisionais, ela está oferecendo dignidade, qualificação profissional e novas perspectivas de futuro. Parcerias como esta demonstram que, com o envolvimento do poder público e da iniciativa privada, é possível criar caminhos reais para a ressocialização e para a redução da reincidência”, descreveu.

Foto de ato para inauguração com a presença de autoridades e representações dos participantes do projeto
Inauguração contou com a presença de autoridades e representações dos participantes do projeto - Foto: Rafa Marin/Polícia Penal

Na linha de produção

A Beira Rio começou a utilizar a mão de obra prisional há três anos. Desde então, já montou nove linhas de produção, contando com a inaugurada nesta sexta-feira, em Sarandi. “Vivemos um colapso de mão de obra e com a ajuda da Polícia Penal quebramos um paradigma e estamos mostrando que o trabalho prisional é uma solução. Além disso, ajuda os apenados com renda, com ocupação da mente e com qualificação. É um projeto enriquecedor em muitos aspectos, o qual orgulha muito a Beira Rio. Nos próximos dias, vamos chegar a 600 apenados atuando nas nossas linhas de produção”, declarou o gerente industrial da empresa, Sandro da Silva.

Os apenados trabalhadores recebem os benefícios previstos em lei — como remuneração de até 75% do salário-mínimo e remição de pena. Toda a produção será destinada à indústria calçadista, contribuindo para atender à demanda do setor e consolidando a iniciativa como mais uma ação voltada à qualificação profissional e à reintegração social.

Imagem de apenados em trabalho de costura e montagem de calçados
Apenados trabalhadores recebem os benefícios de remuneração de até 75% do salário-mínimo e remição de pena - Foto: Rafa Marin/Polícia Penal

Espaço reformulado

A reforma do espaço onde a fábrica está instalada foi concluída em aproximadamente 90 dias e contou com investimento aproximado de R$ 100 mil, provenientes de recursos das Comarcas de Sarandi e de Constantina, da prefeitura de Sarandi, de verbas mensais da Delegacia Regional da Polícia Penal, além de ter recebido materiais fornecidos pela Beira Rio.

Segundo a delegada da 4ª Região, Manuela Peliciolli, a fábrica é uma conquista significativa. “Além de ampliar as oportunidades de trabalho, ela oferece qualificação profissional e contribui para que os apenados retornem à sociedade com novas perspectivas. É um projeto que reforça nosso compromisso com a segurança e com a ressocialização”, citou.

A área de cerca de 100 metros quadrados recebeu adequações estruturais, incluindo a conexão entre a ala da fábrica e o restante do estabelecimento prisional, o que permite maior segurança na movimentação dos custodiados. No local também foram instalados máquinas de costura, equipamentos de corte e viragem, esteira de produção e demais dispositivos utilizados na indústria calçadista.

O novo ambiente foi estruturado para oferecer melhores condições de trabalho às pessoas privadas de liberdade, contribuindo para a promoção da dignidade no cumprimento da pena, para o fortalecimento das políticas de ressocialização e para a reinserção social dos apenados.

Texto: Marcelle Schleinstein/Ascom Polícia Penal
Edição: Secom

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