Mostra Científica 2026 destaca protagonismo negro nos projetos das escolas estaduais
Ação é promovida anualmente pela Secretaria da Educação
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Nas 30 Coordenadorias Regionais do Estado (CREs), as escolas da Rede Estadual estão reunidas e mobilizadas para participar da etapa regional da 4ª Mostra Científica 2026, que ocorre até sexta-feira (23/10). A ação, promovida anualmente pela Secretaria da Educação (Seduc), é o momento de valorizar a pesquisa e a criatividade dos trabalhos desenvolvidos na sala de aula, incentivando o espírito crítico e o protagonismo estudantil.
Na edição deste ano, o tema principal diz respeito aos "55 anos do 20 de Novembro: memória, presença e futuro". A temática faz alusão ao movimento iniciado pelo Grupo Palmares. Criado em Porto Alegre em 1971, o grupo propôs a data, que hoje é feriado nacional, como um marco da resistência negra no Brasil.
Assim, o objetivo da Mostra Científica 2026 é destacar as contribuições dos povos africanos e afro-brasileiros, aproximando a pesquisa científica da educação antirracista.
Com o apoio de professores orientadores, os estudantes apresentam seus trabalhos em uma feira de ciências, que é organizada em espaços amplos, como ginásios e galpões. Uma das novidades é que a avaliação dos projetos é feita pelos próprios participantes, a partir da metodologia das Estações de Aprendizagem.
Os estudantes têm uma série de rodadas de interação e, após isso, distribuem selos de Ouro, Prata e Bronze aos trabalhos dos outros colegas, reconhecendo aqueles que consideram mais relevantes dentro da temática antirracista. Questões de relevância social e viabilidade também são observadas.
Os projetos precisam abordar temas como sustentabilidade, história e memória, direitos humanos, identidade cultural e combate ao racismo. Cada pesquisa conta com até três estudantes, sendo um autor e dois coautores. Antes de chegarem à etapa regional, os alunos escolhem os temas nas escolas, realizam as pesquisas e preparam os materiais.
Para auxiliar na exposição, podem ser utilizados maquetes, cartazes, protótipos e quaisquer outros materiais que os estudantes consigam criar. A explicação fica por conta dos alunos, que compartilham o conhecimento produzido. Com isso, a proposta é desenvolver a capacidade de argumentação.
A Mostra Científica é aberta a estudantes de todas as etapas e modalidades da Rede Estadual, incluindo escolas indígenas, quilombolas e do campo, além de alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e da Educação Especial.
A organização é dividida ao longo do ano letivo em três fases: escolar, regional e estadual. As escolas de cada CRE inscreveram até três projetos na etapa regional. Os trabalhos classificados avançam agora para a fase estadual, que acontecerá em 25 e 26 de novembro, no campus da Unisinos em Porto Alegre.
Capoeira e cultura afro-brasileira em destaque
Na 9ª CRE, em Cruz Alta, a etapa regional ocorreu na quarta-feira (21/10). Ao todo, foram 75 trabalhos inscritos na região, de 35 escolas diferentes. Com a presença de 220 estudantes, o projeto que venceu o primeiro lugar na categoria dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental destacou um legado da cultura afro-brasileira: a capoeira.
Com o nome No Toque do Berimbau, o trabalho foi desenvolvido pelos jovens estudantes da Escola Estadual de Educação Básica Menino Deus, do município de 15 de Novembro.
A proposta surgiu a partir do incentivo do professor de Educação Física e mestre de capoeira, Pierre José Ramos. A iniciativa contou com o envolvimento de uma turma inteira do terceiro ano do Ensino Fundamental. Na mostra, como as equipes são representadas por três alunos, participaram os estudantes Cassiano Prediger Kuffel, Felipe Afonso da Costa e Ana Laura Herbert Goelzer.
Para o professor, o resultado da conquista é fruto de uma dedicação coletiva. “É uma satisfação, depois de muito esforço, alcançarmos o primeiro lugar com um tema de suma importância no meio científico", relatou Pierre.
O desempenho foi comemorado com empolgação pelo grupo. “Pela primeira vez, o terceiro ano da escola está sendo campeão na mostra científica. É também a primeira vez que eu venho, e olha o que estou levando para casa”, celebrou Felipe, de 8 anos, segurando o troféu.
Na categoria do Ensino Médio, o estudante Luís Felipe Nunes, do Instituto Estadual de Educação Annes Dias, de Cruz Alta, também destacou o que aprendeu ao participar de um evento científico. “É uma dádiva estar aqui hoje, afinal podemos exercer a oralidade, poder apresentar todo o trabalho e fazer dessa cultura afrodescendente algo importante nos dias de hoje”, afirmou.
Texto: Daniel Marcilio/Ascom Seduc
Edição: Secom